quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Dor no peito. No lado direito
Direito da dor.
Lado esquerdo que indica infarto.
Dor aguda. Chata. Suportável.

Enchaquecas piores. Na memória.
Dor esperada segunda a história.
Da diagnose, medíocre e cara.
Internado. De grátis. Coisa rara.

Acostumado com a morte. Recente.
Companheira desde adolescente.
Esperada. Carinhosamente.
Dor? Temida. No peito. A despeito.

Doutora? Bebo, fumo, não cheiro.
Obeso. Ocioso. Bem educado e culto.
Cultuo a passagem. Desta para melhor.
Impossível, o pior ser pior.

Me amo. Te amo. Mas, dor? Good-bye.
Meu último desejo? An apple pie.
Enfermeiras distantes. Cobrança constante.
Largado, e ignorado em um frio congelante

Pie. Pai. Pie. Pai.
Quanta dor. Quanto abandono.
Sob tantos olhares. Com tantos cuidares.
Médicos, hospitais. Descuidos abandonares.

Vítima maior de cometidas palavras.
De vaticínios da própria lavra.
Máfia. Máfia. Máfia. De branco.
Que em empáfia o levou, num tranco.

Volto a mim. A dor me chama.
O peito inflama. De memórias.
O peito inflama. Com histórias.
Minhas. Nossas. O peito reclama.

Penso agora. E me acontecer ir embora?
Rio. Já pensei. Estou na emergencia.
Seção privilegiada. Há privilégio nesta hora?
Há querencia para não dar o fora?

A vida passa. Rápida e tranquila. Na mente.
Mas a mente dói. E corrói. O balancete.
Momentos vividos entre o barraco e o palacete.
Risos e lágrimas, na maca, exprime um demente.

Tudo claro. Mais claro que o devido.
E o dividido. Aqui ou lá ? Qual a diferença?
Aonde eu estou aonde  você está?
O final do balancete apresenta um ser ferido.

Ferido de vida. De anseios. De planos e esperança.
Ferido de vida. De anseios. Implantados em criança.
Vivo. Na emergência e pleno de que entre Ir
e Vir , não há diferença. Em qualquer consciência...

Inacabado. Como Tudo...