quinta-feira, 4 de junho de 2015
Ainda Al Pacino. Ainda " Perfume de Mulher"...
Aos inúmeros amigos que responderam (não se baseiem nos números do Facebook, pois por ser um usuário incompetente, postei este video diversas vezes, portanto, obtive muito mais respostas, mas, nada disso importa) meRmo. O importante foi que, depois de postar por diversas vezes e escrever, revi e revi e revi. Esta cena. Esta mesma cena. E quero, desculpem, escrever novamente. E dizer o que vi ao ver e rever e rever. Deus do céu ! Que aula. De interpretação, delicadeza, para sequer tocar em Tango. Aula de como um homem, cego para tudo,mas não para a vida, pode enxergar tão bem uma mulher. Trata-la, independente de sua beleza ou juventude, idade, tão plenamente. De forma tão própria, apropriada (ele se apropria dela. Alguma dúvida?) leve, justamente quando deve ser leve, vejam, observem, que ao início da dança, a mão de Al Pacino apenas " pousa " nas costas da mulher. Mulher? Moça? Jovem? Menina? Que importa? Ele a sabe, fêmea, mesmo cego, por inteiro. Ele a reconhece. Pelo cheiro, pelo odor, pelo olfato. Ele sabe,reconhece. Não um simples perfume, sabe o sabonete que ela usa. Isto aparece antes. Sabonete! Bem, acho que chega. Ele, homem pleno, a sabe, mulher. Plena. Mas perdida. Desperdiçada. E abusa, como se deve abusar, do prazer de uma mulher.Como isso é possível? Fazendo-a feliz. Mesmo que por um momento tão fortuito como o de uma dança. Um Tango. Retira-a da espera cotidiana, a salva de comportamentos medíocres. E oferece à ela, pouco, muito pouco. Uma dança cega. Que a faz ver, enxergar, o que é ser um homem, um verdadeiro homem e uma mulher. Uma mulher feliz. Beijos na testa. Falei demais, porque esta cena sempre me emocionou demais. E, agora, me emociona ainda mais, cada vez mais, quando a assisto.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Perfume de mulher. O filme. A cena do Tango. Al Pacino. Ator dos atores...
A cena do tango em Perfume de Mulher.
Com Al Pacino. Não com Vittorio Gassman...
Estava eu, um dia, há anos passados, almoçando com meu pai, Millôr, e amigos. Que lembre, Casé, Gravatá, Guga, Monica (minha mulher), Hélio Fernandes (meu tio) Técio Lins e Silva, Fernanda Montenegro, Nanda Torres e filhos, Andrucha. Mesa excepcionalmente grande. O papo, sempre loucamente rápido, acabou , inexorávelmente, em cinema. Salvo engano, havia sido lançado " Bastardos inglórios" do Tarantino. Era "o assunto". As opiniões dos presentes , a respeito do filme, foram da ordem do incendiário. Mas amainou. As conversas sempre eram incendiárias, ou incendiáveis (caso esta palavra exista) mas amainadas pelo respeito recíproco que todos os presentes tinham por todos os presentes. Neste amainar, o rumo da conversa derivou. Mudou. E a pergunta, sempre havia uma pergunta explosiva, surgiu. Uma pergunta explosiva, entenderam, amainava uma conversa incendiária. Me repito, entenderam, mesmo? Então a pergunta: qual o maior ator vivo? Respostas aos milhares, atropeladas, disparadas com a velocidade de metralhadoras. Eu, ouvi, calado. E, quando as vozes tonitroantes baixaram de tom, falei, humildemente: " AL Pacino". Neste momento, Fernandona botou as mãos na cabeça, não na testa, não na fronte, mas apoiou tanto o lado esquerdo quanto o direito da cabeça e - me olhando fixamente - exclamou (sim, exclamou, não falou, não.) : AL Pacino? Ele interpreta com o silêncio. Claro (palavras de Fernandona) com o silêncio. O silêncio. Interpreta com e o silêncio.
Ator dos atores. E nada mais disse. Agora, vejam, observem, esta cena. Al Pacino. Interpretando um cego. Dançando. Sem palavra alguma. Música e o silêncio. Mas atentem à interpretação da jovem - jovem, na época - atriz, que segue, perfeitamente, Al Pacino. Cegueira. Dança. Interpretação.Tudo magistral. Silêncio. Música relegada ao fundo da cena, pela interpretação. Embora em primeiro plano.
O silêncio que Al Pacino nos apresenta, vem da cegueira, não da surdez e, assim, vira protagonista. Por isto (basta?) acho esta uma das maiores interpretações do cinema. Até hoje, pelo menos...
Com Al Pacino. Não com Vittorio Gassman...
Estava eu, um dia, há anos passados, almoçando com meu pai, Millôr, e amigos. Que lembre, Casé, Gravatá, Guga, Monica (minha mulher), Hélio Fernandes (meu tio) Técio Lins e Silva, Fernanda Montenegro, Nanda Torres e filhos, Andrucha. Mesa excepcionalmente grande. O papo, sempre loucamente rápido, acabou , inexorávelmente, em cinema. Salvo engano, havia sido lançado " Bastardos inglórios" do Tarantino. Era "o assunto". As opiniões dos presentes , a respeito do filme, foram da ordem do incendiário. Mas amainou. As conversas sempre eram incendiárias, ou incendiáveis (caso esta palavra exista) mas amainadas pelo respeito recíproco que todos os presentes tinham por todos os presentes. Neste amainar, o rumo da conversa derivou. Mudou. E a pergunta, sempre havia uma pergunta explosiva, surgiu. Uma pergunta explosiva, entenderam, amainava uma conversa incendiária. Me repito, entenderam, mesmo? Então a pergunta: qual o maior ator vivo? Respostas aos milhares, atropeladas, disparadas com a velocidade de metralhadoras. Eu, ouvi, calado. E, quando as vozes tonitroantes baixaram de tom, falei, humildemente: " AL Pacino". Neste momento, Fernandona botou as mãos na cabeça, não na testa, não na fronte, mas apoiou tanto o lado esquerdo quanto o direito da cabeça e - me olhando fixamente - exclamou (sim, exclamou, não falou, não.) : AL Pacino? Ele interpreta com o silêncio. Claro (palavras de Fernandona) com o silêncio. O silêncio. Interpreta com e o silêncio.
Ator dos atores. E nada mais disse. Agora, vejam, observem, esta cena. Al Pacino. Interpretando um cego. Dançando. Sem palavra alguma. Música e o silêncio. Mas atentem à interpretação da jovem - jovem, na época - atriz, que segue, perfeitamente, Al Pacino. Cegueira. Dança. Interpretação.Tudo magistral. Silêncio. Música relegada ao fundo da cena, pela interpretação. Embora em primeiro plano.
O silêncio que Al Pacino nos apresenta, vem da cegueira, não da surdez e, assim, vira protagonista. Por isto (basta?) acho esta uma das maiores interpretações do cinema. Até hoje, pelo menos...
segunda-feira, 1 de junho de 2015
De dores e expirações.
Inspira. Expira. Suspira. Sofra.
Dói? Não? Aqui? Ali.Aí? Sim?
Sim? Muito? Pouco? Menos?
Inspira. Novamente. Expira.
Mais uma vez. Trinta e tres.
Novamente. Expira. Inspira.
Assim. Sim. Assim? Não.
Sente? O Pulmão? Coração?
O Coração bate muito.
O Pulmão está limpo.
Você? Não sei. Meio sujo.
Vamos checar a pressão.
A pressão está alta. Sempre?
Anda sempre alta? Hipertenso?
Fumante? Quantos maços?
Cigarros, copos, por dia?
Medicamentos? Prescritos?
Proscritos? Drogas? Quando?
Sempre? Nunca? Que droga!
Droga, está obeso. Sobrepeso.
Ativo?
Dói? Não? Aqui? Ali.Aí? Sim?
Sim? Muito? Pouco? Menos?
Inspira. Novamente. Expira.
Mais uma vez. Trinta e tres.
Novamente. Expira. Inspira.
Assim. Sim. Assim? Não.
Sente? O Pulmão? Coração?
O Coração bate muito.
O Pulmão está limpo.
Você? Não sei. Meio sujo.
Vamos checar a pressão.
A pressão está alta. Sempre?
Anda sempre alta? Hipertenso?
Fumante? Quantos maços?
Cigarros, copos, por dia?
Medicamentos? Prescritos?
Proscritos? Drogas? Quando?
Sempre? Nunca? Que droga!
Droga, está obeso. Sobrepeso.
Ativo?
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