quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sangue. De meu sangue.

Sangue que corre em minhas veias. Grosso.
Como tinta. Se escorrer, pega, pinta. É sangue.
Só. Bom. Fino. E serve para pintar. Ou imprimir.
Uma marca. Uma folha de papel. Um jornal.

Sangue que corre em minhas veias. Corre rápido.
Escorre. Não coagula. Passeia. Na veia.  Capilar.
Como vasos. Capilares. Fragilidade, jamais. Sangue.
Que na corrida carrega gordura e lembranças, demais.

Sangue, com D.N.A. E colesterol. Que corre em prol.
Do mau e do bom, o colesterol. Que me acompanha.
No sono da noite e no despertar do dia. Lua e sol.
Sangue correndo, eu vivendo, sangue correndo.

Sangue contido, sangue sofrido, sangue arraigado.
Na minha terra. Na minha veia. No meu coração.
No meu cérebro. No meu fígado. No meu pulmão.
Me trás alívio. Anestesia. Paz. Sangue. Apaziguado.

Sangue. Hemograma. Mau programa. Me mantém.
Me sustém. Me faz caminhar. Me faz andar. Por quem?
Sangue herdado. Familiar. Sangue colorido. Transmitido.
Em C. Em Y. Em M. Em K. Em RGB. Traduzido.

Sangue exposto? Maldito. Sangue que não quero ver.
Sangue que me sustenta e me derruba. Sangue que reina.
Sangue que me afina. Me ordena. Me norteia. Me nomeia.
Sangue. Que se alimenta de meu alimento. Tormento.

Sangue doado? Nunca. Contaminado. Por vírus indevido.
Sangue curado? Sim. Pelo tempo. E contratempo. Vacinar.
Sangue familiar. Sangue em invólucros plásticos. Elásticos?
Corre na cara, pela barba?  Cotidiamente. Pressente o escanoar.

No rosto assusta a vista. E na ferida nos faz reconhecer a raiz.
A hemorragia. A hemorróida. O cancer.  A garganta. O nariz.
Tudo sinaliza. Como um farol do pós vir. Do por acontecer.
Corre na veia, desde o dia em que vi a luz. Após nascer.

Me carrega. Que me entrega. Me dispõe aos ires e vires. Da vida.
Herança ? Jamais pretendida mas que predestina pois sou, sou.
Sou e sempre serei, como o sangue de minha veia, tinta, fluída.
Servirá para pintar e, assim, serei sempre sangue. De meu sangue.