quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Para minha amiga Eveline que acha que eu minto. Concordo.

Eveline.

Não minto. Pura e simplesmente sinto.
Assim. E assim. E assado. Assolado.
Desesperado. Vem, de repente, e vai.
E, quando menos espero, sai.

Viu? Está, neste momento, acontecendo.
O quê? A mentira. Jamais pressentida.
Sai, baixa, exaspera, desespera. Não sei.
Do que estou falando, do que escrevo.

Não sei. Escrevo para saber. Para ver.
Para ler.
Para saber de mim. O que tenho em mim.
O que contenho. Ou não. Simples assim.

Ou, difícil, assim. Eu não escolho. Escrevo.
Vomito. Transmito. Penso que sim. Ou que não.
Quem sabe o que vou escrever? Eu? Jamais.
O que escrevo? Agora? Um recado. Bem dado?

Bem mandado? Recado de quem? De mim?
Para quem? Para você? Por quê? Escrevo?
Besteira? Bobagem? Bacana? Não sei.
Platônica e Socraticamente, nada sei.

Você sabe? Me explique. Replique. Falsifique.
Notas, lembranças, vida. Rediviva. Citações.
Pompeu e eu. Pessoa e eu. Eu? Pessoa? Eu? Mínima.
Se lembre do que eu disse, ou esqueça. Toda palavra.

É falsa. A palavra. Perversa. Bela. Sedutora.
Escrevo agora, pra você. Que me desmente.
Me deixa marcas permanentes. Mas não se engane.
Nada do que escrevo é coisa verdadeira. Só besteira.


Beijos.

P.S. Pronto. Eveline. Baixou.
P.PS. Hoje retirei os pontos.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

No que estou pensando? Na minha amiga e interlocutora Eveline. Discutíamos ( no melhor sentido da palavra e, por isto mesmo, ela jamais pensou em me bloquear (como Maria Lucia Rangel faz, e fez.) sobre a origem da sentença " Navegar é preciso, viver não é preciso", Fernando Pessoa? Certo? Certo e errado. Eu atribuí, erroneamente, a frase à Seneca, sim, Seneca. O filósofo estóico, partidário de Claudius e, posteriormente, tutor de Nero. Criticado, profundamente, durante toda sua vida, pelo irmão dele, Tacitus. Amigo, próximo, de São Paulo. Tacitus afirmava que Seneca, jamais, fôra "estóico". Ponto. Ponto para Tacitus. Ele tinha razão. Pois,Seneca, após ser alijado da corte, por Claudius(de quem era assessor), foi reintegrado para ser tutor de, quem? Sim, Nero. História. Seneca, passou, neste período, quatro, apenas quatro, anos na corte. E acumulou três milhões de sestercios. Quando o pagamento, anual,eu disse anual, de um centurião era da ordem de quarenta e cinco mil sestercios. A corrupção vem de muito, muito, longe. Seneca. Tacitus, Claudius, Nero. Mas a "discussão"não foi bloqueada, continuou. Eu atribuía a frase à Seneca. Estóico. Minha amiga e interlocutora Eveline, me corrigiu. Graças, Eveline. Primeiro afirmou que, de forma literária, a palavra preciso (e ela tem plena razão) não é utilizada por Pessoa como "necessidade" mas, sim (daí a genialidade de Pessoa) como 
"precisão". Entenderam? Gotcha!? Pessoa? Genial? Certamente. Mas, Eveline ainda foi além. Cito Eveline: "Navegar é preciso, viver, não é preciso.
Esta frase, atribuída a Fernando Pessoa, na verdade foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 A. C.), diante de marinheiros amedrontados com uma tempestade, originalmente "Navigare necesse; vivere non necesse!". "
Fim da citação. Grato, Eveline.
Portanto e por causa, para por um ponto final, sem bloquear ninguém, o resumo é o seguinte: a frase original pertence a Pompeu. Certo? E nela, o sentido de necessidade é claro. Navegar para sobreviver a uma tempestade. Em Pessoa, não o autor, mas aquele que percebeu o duplo sentido da frase, ela se transforma em precisão. E no fim, e enfim, chegamos ao final. Pessoa é genial. Sendo autor, ou não. Certo? Necessidade e precisão. Não tem, tudo, a ver com os tempos em que estamos vivendo? Demorei mas cheguei ao que queria. Beijos.