terça-feira, 29 de outubro de 2013

Previsível.

Um dia, um belo dia ou não, apenas um dia,
como o anterior, o posterior, ou qualquer outro.
Um homem se torna previsível. Pior, pré-visivel.
Conhecido de antemão, por nenhuma variação.

Todos, em volta, já aguardam, atendiam, sua reação
De ante-mão. Para lá ou para cá , já o sabem.
este homem se tornou previsível. E assim invisível.
Ninguém mais o vê. Em casa, na cama, no trabalho.

Absolutamente previsível e, por isto, invisível.
O homem some. Desaparece, por mais que faça.
Inexiste o homem. Sobra apenas sua impressão.
Impressão de já sabido. De inexistência. Total.

Como surgiu este homem? Mergulhado em coerência?
Surgiu de um nada, para onde certamente irá?
Surgiu de um parto para desaparecer, sem morrer?
Surgiu de um parto para morrer, invisível?

Previsível como a morte. O Homem permanece.
E neste estado de permanência, desaparece.
Não o vêem mais. Não o desacreditam mais.
Crêem demais em seus gestos. Suas altitudes.

E longitudes. Homem preciso como uma bússola.
Mas preciso para quê? Todos sabem seu norte e seu sul
Todos sabem, como quando e onde, falará das nuvens.
E todos esperam que, após as nuvens, fale do azul.

Do céu, surgiu esse homem, como todos surgem.
Mas alguns se insurgem contra o imponderável.
Lutam pelo controle do que jamais será controlado.
E, inevitávelmente, a luta para todos já está definida.

Infelizmente, para todos, a luta já está perdida.
Os que se insurgem permanecem visíveis.
Os que aceitam a sina, se resignam, enganam.
A si mesmos tornando-se previsíveis, pior, invisíveis.

Quem poderá salvar estes homens?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Odete é uma mulher que trabalha com frete.
Periguete. Periquitete. Faz frete.
Dona do carro. Dona de casa. Dona da casa.
Casada. O marido uma peste.
Não há quem o conheça que não o deteste.
Odete cumpre até o que jamais promete.
Odete é Odete. Periguete.
Precisa de um homem que não preste.
Pois Odete detesta, homem que preste.
Odete sobrevive de frete.
Cospe um homem como cospe um chiclete.
Mora numa kitchenete.
Esta é a Odete.
Grudada a uma história que sempre repete.
Não toma alcóol, Nenhum. Só. Bebe Grapette.
Ô Odete, quanto custa seu frete? Não se assanhe.
Se aquiete. Seu marido não lhe dá sequer um croquete?
Odete. Quanto custa seu frete? Odete, me ame.
Não me engane. Comigo sem flerte.
Odete, me acolha, abraçe, aperte.
Odete, acorde. Abra os olhos, desperte!
Desperte Odete, e abra seus olhos para mim.
Odete, me promete, que um dia, ainda, me dará o sim.
Pois ao contrário, Odete meu frete, saberei declarado,
um croquete?
Odete. Quanto custa seu frete? Odete, me ame.
Não me engane. Comigo sem flerte...
Odete, me acolha, abraçe, aperte.
Odete, acorde. Abra os olhos, desperte!
Isso, Odete, e abra seus olhos para mim.
Odete, me promete, que um dia, ainda, me dará o sim.
Pois ao contrário, Odete meu frete, saberei declarado,
Meu fim.