terça-feira, 26 de agosto de 2014



IDEAL

Meu ideal de vida? É de ida. É. Ida.
Sem volta. Para sempre. Para um farol.
Situado em pequenina ilha. Majestoso.
Imponente. Brilhante. Fálico. Um sol.

Sol de dia. Quente. Verão. Todos. O farol.
Nele me pressentirão. Mas jamais me saberão.
Solitário. Protegido. Escondido. Ermitão.
Ouvindo o mar. Aprendendo do mar. Do Atol.

Meu ideal de vida? Anônima. Escondida. Ilha.
Paz. Misantrópica. Autônoma. Única. Rocha.
Pássaros. Peixes. Répteis. Mariscos. Arisco.
Como eu. Só. Longe das leis. Obrigações. Fisco.

Nuvens coloridas pela altura do sol. No alto. Do farol.
Enxergo. Todo dia. Deslumbrante. Cores incontidas.
Não cabem em palhetas. Ou quaisquer pigmentos.
E assim, minha vida, tem seu, justo, seguimento.

Vivo. Só. Ao Sol. Exposto ao mar e ao vento.
Do alto observo tudo. Céu. Nuvens, barcos perdidos.
Como eu. Mas estou aquecido pela beleza e certeza.
Da não lembrança. Da paz. De ter sido esquecido.

Farol. Ilha. Peixes. Nuvens. Mar. Sol. Céu. Pássaros.
Tudo eu. Sómente eu. Vivo. Esquecido. Tranquilo.
O tempo passa. Lentamente. Delicadamente. No farol.
Que me alimenta, sempre. Me garante sempre. Ser. Esquecido.


Inacabado. Como tudo mais...