Meus mortos, como todos os mortos, se foram.
Me refiro aos particulares. Parte dos lares.
Que compartilhavam comigo, família.
Cedo ou tarde , me abandonaram.
Tanto. E tantos. Me deixaram submerso em solidão.
Minha eterna e escarradeira companheira.
Que afaga o filho carbono, crescido em abandono.
De olhares, abraços, sorrisos, e carinhos.
Só ela. Sómente ela. Jamais me abandonou.
Passo a passo, permanece, lembrando os mortos que se foram.
Me acompanha, muda. Calada Sem críticas ou elogios. Nada fiz.
Ela mudou. Sómente ela, jamais se afastou. Nunca foi a hora.
Presenciou vitórias, derrotas e tremendos fracassos.
A cada dia, a cada momento, a cada passo. A passo.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Com firmeza, quase indiferença, me lembrou existir.
Quando estava ao ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular. Minha.
Silente, ensinava. O certo e o errado, o bem e o mal.
Relembrava meus mortos. Familiares ou nem tanto.
Tios, primos, ex-amantes enforcadas, tropa histórica e sábia.
Uns e outros me ensinavam.
Cada um em seu universo, conversavam e me anuviavam.
Ela me fez sobreviver. Acompanhado de mortos.
Familiares. Particulares, ou outros imensamente populares.
Todos me traziam lembranças, lições e companhia.
E assim, sempre na companhia dela, sobrevivia. Dia a dia.
Noite após noite. Sempre ela. desde o primeiro suspiro.
Desde que respiro. Desde quando bateu, sozinho,
aflito, meu coração. Sístole, Diástole? Ying, Yang?
Fez acompanhar-me. Com dificuldade. Sabe minha idade.
Sem palavras. Tudo me mostrou. Apresentou.
A dureza da vida. A ilusão do amor. O valor da amizade.
Às vezes serena. Outras dura. Mas sempre precisa. Sempre
sem cobrança qualquer, inominada, só cor, pleno coração.
Discretamente presente. Em festas, glórias, tristezas, satisfação.
E em toda ocasião, mais ensinava. Nunca foi sinônimo
muito menos aparentada de abandono. Jamais. Me via só,
trazia meus mortos, Humberto, Byron. Particulares ou populares
O tempo passava. E ela, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tinha o mundo e seu passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como me fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.
O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com os mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.
Mesmo com ela, esta pantera, minha inseparável companheira.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Na sua firmeza, quase indiferença, me apoiou existir.
Delicada ou não. Jamais se apresentou em presunção.
Quando estava a ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular.
Silente, aconselhava. O certo e o errado, o bem e o mal.
O tempo passa. E ela aguarda, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tem o mundo e o passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.
O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com meus mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.
Obrigado pantera, inseparável companheira. Minha Solidão.