sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para um manco de Ipanema.

DEDICADO A MIRO. 

O eterno Chefe dos "Salva-vidas" do Posto Nove.
Ipanema. Aníbal de Mendonça.
Hoje. Erro histórico - histórico - da Prefeitura.

COMO UM MANCO DE IPANEMA...

Eu quero um salvador!

Um salva-vidas do Arpoador!
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e surfar. Nas ondas do mar.

Um salvador silente, que não suma. Presente.
Longe do meu olhar, mas sabido, para me acalmar.
Que me ensine que nada se precisa ensinar.
É só, tão sómente só, necessário alguém para aprender.

Que os tempos não o afastem, trocando- o de posto.
Aposentando-o, me fazendo-o esquecer. E o que ensinou.
O salvador. O herói, presente em notícias de jornais.
Aquele que tanto ensinou. Ginástica, abdominais...

Um Salva- vidas, amigo, feliz, como já não existem mais.
Que ame a praia. A areia branca e cantante, escaldante, o sol.
E o vento, bandeira vermelha, indicando o perigo.
Da correnteza que nos arrasta, assim como a vida.

O vento, bandeira branca, que nos permite boiar.
Na calma, no corpo, na alma, no sal, do mar.
Bandeira branca meu amor. Que não me faz chorar.
Só me traz seu carinho, sua certeza, comigo, em ondas.

Ondas, ondas, e ondas. Infinitas. Fortes, agressivas, ou
doces, amorosas celebrando encontros entre conhecidos.
Como só, infinitamente, se repetem em ilusão. Sempre.
Pois são, cada uma, personalíssima, partilham apenas o tempo.

O tempo infindo do vir e ir e reconstruir-se a si mesmas.
Tempo que não se sabemos se, conosco, se porta dessa forma.
A forma das ondas, julgamos ser iguais, depressa demais.
Como a natureza que pretendemos saber. Animais. Vegetais. Mineirais.

Pretenciosamente intelectuais. Riqueza e variedade diárias. E noturnas.
Eu quero um salvador. Um salva-vidas do Posto Nove ou Arpoador. 
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e  surfar. Nas ondas do mar.

Onde foi, onde ido? Certamente, continua, empregado ou despedido?
Longe do mar, da natureza,  que na sua vida que fez se acompanhar,
plena e pura beleza? Cargos e encargos. Salvou-se deles. Todos.
Certos e errados. Cumpria seu tempo. Apesar do tempo. Sol ou chuva.

Tentou entender o universo. Em forma, em prosa, em fim? Perto do mar.
Cadê meu salvador? Para que Posto conduzido? Relegado? Afastado?
Da mais plena e pura beleza. Cargos e encargos? Salvou-se deles. Todos.
Como, me salvou, ensinando a pensar a vida . E agradecer à Natureza.

A parar, descansar, repousar os olhos, sempre, sobre as ondas do mar.