Sangue que corre em minhas veias. Grosso.
Como tinta. Se escorrer, pega, pinta. É sangue.
Só. Bom. Fino. E serve para pintar. Ou imprimir.
Uma marca. Uma folha de papel. Um jornal.
Sangue que corre em minhas veias. Corre rápido.
Escorre. Não coagula. Passeia. Na veia. Capilar.
Como vasos. Capilares. Fragilidade, jamais. Sangue.
Que na corrida carrega gordura e lembranças, demais.
Sangue, com D.N.A. E colesterol. Que corre em prol.
Do mau e do bom, o colesterol. Que me acompanha.
No sono da noite e no despertar do dia. Lua e sol.
Sangue correndo, eu vivendo, sangue correndo.
Sangue contido, sangue sofrido, sangue arraigado.
Na minha terra. Na minha veia. No meu coração.
No meu cérebro. No meu fígado. No meu pulmão.
Me trás alívio. Anestesia. Paz. Sangue. Apaziguado.
Sangue. Hemograma. Mau programa. Me mantém.
Me sustém. Me faz caminhar. Me faz andar. Por quem?
Sangue herdado. Familiar. Sangue colorido. Transmitido.
Em C. Em Y. Em M. Em K. Em RGB. Traduzido.
Sangue exposto? Maldito. Sangue que não quero ver.
Sangue que me sustenta e me derruba. Sangue que reina.
Sangue que me afina. Me ordena. Me norteia. Me nomeia.
Sangue. Que se alimenta de meu alimento. Tormento.
Sangue doado? Nunca. Contaminado. Por vírus indevido.
Sangue curado? Sim. Pelo tempo. E contratempo. Vacinar.
Sangue familiar. Sangue em invólucros plásticos. Elásticos?
Corre na cara, pela barba? Cotidiamente. Pressente o escanoar.
No rosto assusta a vista. E na ferida nos faz reconhecer a raiz.
A hemorragia. A hemorróida. O cancer. A garganta. O nariz.
Tudo sinaliza. Como um farol do pós vir. Do por acontecer.
Corre na veia, desde o dia em que vi a luz. Após nascer.
Me carrega. Que me entrega. Me dispõe aos ires e vires. Da vida.
Herança ? Jamais pretendida mas que predestina pois sou, sou.
Sou e sempre serei, como o sangue de minha veia, tinta, fluída.
Servirá para pintar e, assim, serei sempre sangue. De meu sangue.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Página em branco
Hoje li mais uma. Sim, mais uma crônica sobre a tal da página em branco.
Mais uma, entenderam? São centenas? Sempre a tal da página. Em branco?
O que tem demais uma página em branco? Hein? Algum cronista começa
com uma página que não seja em branco? Hein? Como?
Mas a maldita reaparece. Sempre. Como maldição. Não me recordo (mentira,
recordo sim) de cronista que não usasse este tema. Nhém, nhém, nhém, minha
página em branco e tome lá chatice. Alguns abordaram este tema sem serem
chatos, cacetes? Poucos. Os brilhantes, porque por serem brilhantes, nunca
abordaram esta bobagem como real. Mas como tema, fingindo falta de tema,
para escreverem sobre trivialidades que, de outra forma, não se permitiriam.
E eram brilhantes. E só. Mas fingiam!!!
Toda cronica, texto, peça, ilustração, começa sempre com uma página em branco.
Já pensaram nisto?
Medíocres, estou certo que não. Que nunca pensaram. E usam a escapatória "original" para
justificarem a própria mediocridade. Ou pior, preguiça.
justificarem a própria mediocridade. Ou pior, preguiça.
O quê? Ouvi bloqueio? Bloqueio? Mesmo? Profissional não tem bloqueio. Escreve.
Sobre o que for. Francis me dizia, literalmente, cito: " Bota uma moedinha na minha
boca que eu escrevo..."
Otto, lenda ou não, reconhecido por escrever editoriais,editoriais, em jornais rivais,
defendendo um lado e outro da moeda. E ambos eram tão fascinantes que os leitores
de ambos os jornais se sentiam como "donos da parada", isso para não citar Braga.
Que aconselhava ao jovem cronista que este, ao encontrar uma
defendendo um lado e outro da moeda. E ambos eram tão fascinantes que os leitores
de ambos os jornais se sentiam como "donos da parada", isso para não citar Braga.
Que aconselhava ao jovem cronista que este, ao encontrar uma
dificuldade gramatical qualquer e não dispusesse de um dicionário à mão; "desse uma
voltinha", voltinha gramatical, claro. Braga, acho (apenas acho, nunca verifiquei) inventouesta maldita crônica. Por puro talento. E, ironicamente, por falta total de talento
dos que se arrogam cronistas, somos
perseguidos até os correntes dias por esta "originalidade". Saco!
De onde surge esta página em branco? Esta permissividade? Da ignorância do cronista
ou do leitor ? Não. Normalmente e, novamente não verifiquei, apenas acho, de uma ressaca,
falta de paciência, uma noite mal-dormida, uma trepada interrompida, uma barriga vazia ou
pura preguiça. O pior (este eu verifiquei) dos pecados capitais, enfim
falta de paciência, uma noite mal-dormida, uma trepada interrompida, uma barriga vazia ou
pura preguiça. O pior (este eu verifiquei) dos pecados capitais, enfim
uma razão qualquer para"desculpem, hoje não estou afim". Não estou nem aí.
Para a carne seca, para o que der e vier.
Bloqueio? Novamente?
Por quê? Se é profissional, peça ao colega ao lado um assunto. Profissional escreve
sobre qualquer assunto. O colega faltou? Peça uma sugestão ao ascensorista. Ao porteiro.
Ao segurança. Todos, absolutamente todos, terão algo a sugerir para suprir sua falta de
imaginação, assuntos, idéias e etc. Entre tres compromissos ou etc...
Uma galinha doente. Uma amante caolha. Uma filha zarolha. E por aí vai.
Menos a tal, a tal, da página em branco. Nos poupem.
Ivan Lessa dizia:" leitor, lê. Leitor não escreve. " O contrário vale também. Cronista escreve.
Então escreve, maldito! Sobre qualquer coisa, escolha, de um tudo, vale-tudo, menos
página em branco.
Sugiro que, de hoje em diante, todo e qualquer cronista que escreva sobre a maldita
tenha o seu décimo terceiro pagamento suspenso. Por justa causa.
E chega de crônica sobre página em branco.
Combinado?
P.S. Sobre o quê eu queria escrever mesmo?
Ah! Sim. Sobre a página em branco.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Para minha amiga Eveline que acha que eu minto. Concordo.
Eveline.
Não minto. Pura e simplesmente sinto.
Assim. E assim. E assado. Assolado.
Desesperado. Vem, de repente, e vai.
E, quando menos espero, sai.
Viu? Está, neste momento, acontecendo.
O quê? A mentira. Jamais pressentida.
Sai, baixa, exaspera, desespera. Não sei.
Do que estou falando, do que escrevo.
Não sei. Escrevo para saber. Para ver.
Para ler.
Para saber de mim. O que tenho em mim.
O que contenho. Ou não. Simples assim.
Ou, difícil, assim. Eu não escolho. Escrevo.
Vomito. Transmito. Penso que sim. Ou que não.
Quem sabe o que vou escrever? Eu? Jamais.
O que escrevo? Agora? Um recado. Bem dado?
Bem mandado? Recado de quem? De mim?
Para quem? Para você? Por quê? Escrevo?
Besteira? Bobagem? Bacana? Não sei.
Platônica e Socraticamente, nada sei.
Você sabe? Me explique. Replique. Falsifique.
Notas, lembranças, vida. Rediviva. Citações.
Pompeu e eu. Pessoa e eu. Eu? Pessoa? Eu? Mínima.
Se lembre do que eu disse, ou esqueça. Toda palavra.
É falsa. A palavra. Perversa. Bela. Sedutora.
Escrevo agora, pra você. Que me desmente.
Me deixa marcas permanentes. Mas não se engane.
Nada do que escrevo é coisa verdadeira. Só besteira.
Beijos.
P.S. Pronto. Eveline. Baixou.
P.PS. Hoje retirei os pontos.
Não minto. Pura e simplesmente sinto.
Assim. E assim. E assado. Assolado.
Desesperado. Vem, de repente, e vai.
E, quando menos espero, sai.
Viu? Está, neste momento, acontecendo.
O quê? A mentira. Jamais pressentida.
Sai, baixa, exaspera, desespera. Não sei.
Do que estou falando, do que escrevo.
Não sei. Escrevo para saber. Para ver.
Para ler.
Para saber de mim. O que tenho em mim.
O que contenho. Ou não. Simples assim.
Ou, difícil, assim. Eu não escolho. Escrevo.
Vomito. Transmito. Penso que sim. Ou que não.
Quem sabe o que vou escrever? Eu? Jamais.
O que escrevo? Agora? Um recado. Bem dado?
Bem mandado? Recado de quem? De mim?
Para quem? Para você? Por quê? Escrevo?
Besteira? Bobagem? Bacana? Não sei.
Platônica e Socraticamente, nada sei.
Você sabe? Me explique. Replique. Falsifique.
Notas, lembranças, vida. Rediviva. Citações.
Pompeu e eu. Pessoa e eu. Eu? Pessoa? Eu? Mínima.
Se lembre do que eu disse, ou esqueça. Toda palavra.
É falsa. A palavra. Perversa. Bela. Sedutora.
Escrevo agora, pra você. Que me desmente.
Me deixa marcas permanentes. Mas não se engane.
Nada do que escrevo é coisa verdadeira. Só besteira.
Beijos.
P.S. Pronto. Eveline. Baixou.
P.PS. Hoje retirei os pontos.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
No que estou pensando? Na minha amiga e interlocutora Eveline. Discutíamos ( no melhor sentido da palavra e, por isto mesmo, ela jamais pensou em me bloquear (como Maria Lucia Rangel faz, e fez.) sobre a origem da sentença " Navegar é preciso, viver não é preciso", Fernando Pessoa? Certo? Certo e errado. Eu atribuí, erroneamente, a frase à Seneca, sim, Seneca. O filósofo estóico, partidário de Claudius e, posteriormente, tutor de Nero. Criticado, profundamente, durante toda sua vida, pelo irmão dele, Tacitus. Amigo, próximo, de São Paulo. Tacitus afirmava que Seneca, jamais, fôra "estóico". Ponto. Ponto para Tacitus. Ele tinha razão. Pois,Seneca, após ser alijado da corte, por Claudius(de quem era assessor), foi reintegrado para ser tutor de, quem? Sim, Nero. História. Seneca, passou, neste período, quatro, apenas quatro, anos na corte. E acumulou três milhões de sestercios. Quando o pagamento, anual,eu disse anual, de um centurião era da ordem de quarenta e cinco mil sestercios. A corrupção vem de muito, muito, longe. Seneca. Tacitus, Claudius, Nero. Mas a "discussão"não foi bloqueada, continuou. Eu atribuía a frase à Seneca. Estóico. Minha amiga e interlocutora Eveline, me corrigiu. Graças, Eveline. Primeiro afirmou que, de forma literária, a palavra preciso (e ela tem plena razão) não é utilizada por Pessoa como "necessidade" mas, sim (daí a genialidade de Pessoa) como
"precisão". Entenderam? Gotcha!? Pessoa? Genial? Certamente. Mas, Eveline ainda foi além. Cito Eveline: "Navegar é preciso, viver, não é preciso.
Esta frase, atribuída a Fernando Pessoa, na verdade foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 A. C.), diante de marinheiros amedrontados com uma tempestade, originalmente "Navigare necesse; vivere non necesse!". "
Fim da citação. Grato, Eveline.
Portanto e por causa, para por um ponto final, sem bloquear ninguém, o resumo é o seguinte: a frase original pertence a Pompeu. Certo? E nela, o sentido de necessidade é claro. Navegar para sobreviver a uma tempestade. Em Pessoa, não o autor, mas aquele que percebeu o duplo sentido da frase, ela se transforma em precisão. E no fim, e enfim, chegamos ao final. Pessoa é genial. Sendo autor, ou não. Certo? Necessidade e precisão. Não tem, tudo, a ver com os tempos em que estamos vivendo? Demorei mas cheguei ao que queria. Beijos.
"precisão". Entenderam? Gotcha!? Pessoa? Genial? Certamente. Mas, Eveline ainda foi além. Cito Eveline: "Navegar é preciso, viver, não é preciso.
Esta frase, atribuída a Fernando Pessoa, na verdade foi dita pelo general romano Pompeu (106-48 A. C.), diante de marinheiros amedrontados com uma tempestade, originalmente "Navigare necesse; vivere non necesse!". "
Fim da citação. Grato, Eveline.
Portanto e por causa, para por um ponto final, sem bloquear ninguém, o resumo é o seguinte: a frase original pertence a Pompeu. Certo? E nela, o sentido de necessidade é claro. Navegar para sobreviver a uma tempestade. Em Pessoa, não o autor, mas aquele que percebeu o duplo sentido da frase, ela se transforma em precisão. E no fim, e enfim, chegamos ao final. Pessoa é genial. Sendo autor, ou não. Certo? Necessidade e precisão. Não tem, tudo, a ver com os tempos em que estamos vivendo? Demorei mas cheguei ao que queria. Beijos.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Bestialógico. Começando aqui.
Tudo é bestialógico.
Exceto a lógica. Invenção humana fundamental.
Fruto do raciocínio existente apenas na "raça"humana.
Somos, todos, sem qualquer exceção, símio-descentes.
Nunca, apenas, Afro-descentes. Por quê parar na África?
Somos todos, enfim, Macacos. Ou descendentes. Crime
inafiançavel. Assim como matar um mico-leão, uma arara azul,
ou outro bicho qualquer. Um papagaio, talvez?
Mas roubar trezentos e sessenta e oito milhões de dólares, da
Petrobrás, em um único ano, traduzindo, mais de um milhão de
dólares por dia, pode. Com aval do Ministério Público sob a
égide de "delação premiada".
Haja premiada. Centenas de vezes maior do que ganhar na
Mega-Sena. Média de oito milhões por semana.
Aproximadamente 50 (cinquenta!) Mega- senas. Repito,
para quem não entendeu. Cinquenta Mega senas por semana.
Altas. O ano tem 52 semanas. Lembram? A Mega Sena.
Multiplicada. Por cinquenta. Delação premiada. Arara.
E a Mega-Sena em si? Quando não
acumula e, que raio de premiação é esta, que acumula?
Simples. Lavagem de dinheiro. Anões do orçamento.
Se você comprou um bilhete e este e nenhum outro foi
premiado, você perde a aposta? Perde o dinheiro
que apostou? Sem resultado? Como? Que regra é esta?
No Poker, se - hipótese inexistente - ninguém ganha, acumula?
Que diabo é isto? Sua aposta não vale para a próxima rodada?
Para a próxima apuração? Lavagem de dinheiro. Anões. Do
orçamento. Orçamento público. Escândalo escancarado no
governo COLLOR. Mas tudo igual. Nada mudou. Nada.
Aposte. Ganhe. Lave dinheiro. Basta comprar bilhetes sorteados
no mercado paralelo. Governamental. E fique rico. Enrique.
Mas nunca, nunca, mate uma arara, ou um mico-leão- dourado.
Desculpem-me os micos leão, as araras e, sei lá mais o
quê. Antas? Desculpas. Mil. O que eu quero, para a população brasileira
é simples. Simples? Jamais. Eu quero para a população brasileira,
antes de mais nada, água e esgoto. Que, em notícia publicada na
primeira página do jornal "O Globo"me avisa, ilustra, que serão necessários
investimentos de doze bilhões (dólares, reais? Não sei. Que importa?
um ou outro são a mesma coisa, ou equivalentes para a minha parca imaginação.
Não sou Eike ou Daniel) durante 20 (vinte!) anos consecutivos.
VINTE ANOS CONSECUTIVOS DE DOZE BILHÕES DE INVESTIMENTO.
Eu tenho até o presente momento em que vos escrevo, pessoalmente, acumulad, sessenta.
Sessenta ANOS, por favor. Nunca milhões. Entendido? Compreendido?
Mas me afirmam que jamais verei o Brasil com água e esgoto.
Água e esgoto para toda a população? VINTE ANOS?
Escândalo?
Sarney, Collor, Lula, o povo sabe. Infelizmente, como sabe. Tudo farinha do mesmo saco.
Seu saco, meu saco. Todos. Cheios. De impostos e corrupção.
Inacabado. Como tudo.
domingo, 14 de setembro de 2014
AINDA A LUA.
Vou à sala do meu apartamento e olho. Da janela.
Olho a paisagem. Reta. Direta. Lagoa. Coisa boa.
Olho mais acima, o céu. Vejo a noite e vejo a lua.
Lua. Prata. Fundo negro. Resplandecendo mais prata.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. Descarada.
Olhar da Janela. Dela a lua. O luar. O resplandecer. Calar.
Emudecer. Perante a bela lua, crua, refletida na Lagoa.
Da sala. De casa. De madrugada. Ou quase. Ela. No céu.
Ser capturado por beleza inesperada. Tão longe. Como lua.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. Na rua. Nua.
Que vejo. Prateada. Da janela. E lembro. De tudo. Do homem.
Pisando nela. Caminhando. Para a humanidade. Lá. Na lua.
Mas tem um outro lado. Que não vemos. Que não se mostra.
Esconde. Como eu ou você. Como a moeda. Ou tudo. O lado de lá.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Me reflete.
O lado contrário. Ao que se exibe. O lado escondido. Lá.
Que é tão longe. Como o outro lado da lua. Na prata escondido.
O lado de cá? De cá pra lá? Um mundo. Que observa. Espantado.
Embevecido. A beleza exibida. Do lado de cá da lua. Tão bela.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Rapta. Meu olhar.
Que, ser privilegiado, posso ver da minha janela. Ou do meio da rua.
Refletida na Lagoa. Num filete de água, uma poça. Antiga? Recente?
Brilhando. Serene. Solene. No céu. Sobre a Lagoa. Exibida.
Como moça que se sabe. E finge não se saber. Coisa boa.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Clama. Pelo sol.
Companheiro diurno. Dourado. Cenário. Inesperado. Pronto. Para encantar.
E encanta. A lua. A paisagem cenográfica. Sem vento. Sem Lamento.
Nuvens calmas. Ao contrário de mim. Calmas longe de mim. Escapam.
Olho a paisagem. Aprecio. Procuro Saber. Um apenas. Tolamente. E fim.
Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. Se exibe. Assim. Em Prata. Pra mim.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Encontrei uma moça (jovem senhora) de voz pastosa.
Jovem, senhora, atraente, mas não " gostosa"
Que me disse:"- Como vai, Ivan? ", simples assim.
Ivan? Como sabe meu nome? Perguntei.
Ivan? É seu nome? Estranho, jamais pensei...
Foi a resposta. Da voz pastosa. Da moça.
Um dia, talvez, gostosa. Hoje idosa?
Sim. Ivan. Foi o que você falou, respondi.
Ivan? Você se chama Ivan? Estranho. Ivan morreu.
Ivan morreu? Que Ivan? Inquiri à voz pastosa.
Ivan? Não conheço, responde a senhora idosa.
Pasmo, perante a figura, algum dia, gostosa.
Morreu? Quando, como, onde, paraperperantepor.
De quê, porque, por quê, por quanto conseguinte.
Quem, me responde a moça idosa de voz pastosa.
Quem? O Ivan? Respondo eu. Eu, Ivan? Foi outro, não?
Outro? Outro quem? Outro Ivan? Ivan só você.
Não conheço nenhum outro Ivan. Mais ninguém.
Você morreu. Não morreu? Tenho certeza. Falou.
Com voz pastosa, anunciou, meu falecimento.
Ri, da moça, jovem senhora, já idosa, tão afirmativa.
Morri? Morro agora. De rir. Se falo com você, vivo.
Vives? Você? Meu único Ivan, morto, falecido. Inerte?
Preste, a ser carbonizado. Vive? Você vive Ivan?
Percebi, que a voz pastosa da jovem senhora, idosa.
Era conhecida. Familiar. Rouca. Forte. Alegre. Generosa.
Doce. Doce. Doce. Deleite. Saborosa. Como na infância.
Calorosa. A voz pastosa. Relembrei. Revivi. A voz? Minha.
E daí? Daí, parti. De forma calma, calorosa, embalado
em palavras roucas emitidas por uma jovem idosa.
Talvez em certo momento, gostosa. Laudo? Pastosa.
Certamente e, para sempre, definitivamente, generosa.
Inacabado.
Como tudo.
Jovem, senhora, atraente, mas não " gostosa"
Que me disse:"- Como vai, Ivan? ", simples assim.
Ivan? Como sabe meu nome? Perguntei.
Ivan? É seu nome? Estranho, jamais pensei...
Foi a resposta. Da voz pastosa. Da moça.
Um dia, talvez, gostosa. Hoje idosa?
Sim. Ivan. Foi o que você falou, respondi.
Ivan? Você se chama Ivan? Estranho. Ivan morreu.
Ivan morreu? Que Ivan? Inquiri à voz pastosa.
Ivan? Não conheço, responde a senhora idosa.
Pasmo, perante a figura, algum dia, gostosa.
Morreu? Quando, como, onde, paraperperantepor.
De quê, porque, por quê, por quanto conseguinte.
Quem, me responde a moça idosa de voz pastosa.
Quem? O Ivan? Respondo eu. Eu, Ivan? Foi outro, não?
Outro? Outro quem? Outro Ivan? Ivan só você.
Não conheço nenhum outro Ivan. Mais ninguém.
Você morreu. Não morreu? Tenho certeza. Falou.
Com voz pastosa, anunciou, meu falecimento.
Ri, da moça, jovem senhora, já idosa, tão afirmativa.
Morri? Morro agora. De rir. Se falo com você, vivo.
Vives? Você? Meu único Ivan, morto, falecido. Inerte?
Preste, a ser carbonizado. Vive? Você vive Ivan?
Percebi, que a voz pastosa da jovem senhora, idosa.
Era conhecida. Familiar. Rouca. Forte. Alegre. Generosa.
Doce. Doce. Doce. Deleite. Saborosa. Como na infância.
Calorosa. A voz pastosa. Relembrei. Revivi. A voz? Minha.
E daí? Daí, parti. De forma calma, calorosa, embalado
em palavras roucas emitidas por uma jovem idosa.
Talvez em certo momento, gostosa. Laudo? Pastosa.
Certamente e, para sempre, definitivamente, generosa.
Inacabado.
Como tudo.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
IDEAL
Meu ideal de vida? É de ida. É. Ida.
Sem volta. Para sempre. Para um farol.
Situado em pequenina ilha. Majestoso.
Imponente. Brilhante. Fálico. Um sol.
Sol de dia. Quente. Verão. Todos. O farol.
Nele me pressentirão. Mas jamais me saberão.
Solitário. Protegido. Escondido. Ermitão.
Ouvindo o mar. Aprendendo do mar. Do Atol.
Meu ideal de vida? Anônima. Escondida. Ilha.
Paz. Misantrópica. Autônoma. Única. Rocha.
Pássaros. Peixes. Répteis. Mariscos. Arisco.
Como eu. Só. Longe das leis. Obrigações. Fisco.
Nuvens coloridas pela altura do sol. No alto. Do farol.
Enxergo. Todo dia. Deslumbrante. Cores incontidas.
Não cabem em palhetas. Ou quaisquer pigmentos.
E assim, minha vida, tem seu, justo, seguimento.
Vivo. Só. Ao Sol. Exposto ao mar e ao vento.
Do alto observo tudo. Céu. Nuvens, barcos perdidos.
Como eu. Mas estou aquecido pela beleza e certeza.
Da não lembrança. Da paz. De ter sido esquecido.
Farol. Ilha. Peixes. Nuvens. Mar. Sol. Céu. Pássaros.
Tudo eu. Sómente eu. Vivo. Esquecido. Tranquilo.
O tempo passa. Lentamente. Delicadamente. No farol.
Que me alimenta, sempre. Me garante sempre. Ser. Esquecido.
Inacabado. Como tudo mais...
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
CLAUDIUS.
O MODESTO.
Claudius.
Arquiteto dos mais belos e não menos profundos
"cartoons" brasileiros.Claudius. Nankin de Mel.
O Sean Connery bonito, casado com Jô.
Verdadeira bond-woman. Nunca girl.
Claudius. O que sempre nos embasbacou.
Nem mais nem menos. A todos. Fortuna. Ziraldo.
Millôr. Reconheceram. Nenhum vacilou.
Sempre boquiabertos. Por mais "ex"pertos.
De suíças nos deslumbrava. E, pelamordeDeus,
insiste? Sim. Discretamente. No alumbramento.
Nunca falha. Sempre talha, como uma lâmina.
Como uma pena, sem pesar, leve. Nos leva.
Eleva. Leveza de pena. Fácil. Que domina.
Pena dócil se deixa guiar ao leve toque. Mágico.
Transubstancial. Sutileza. Leveza. Beleza. Papel
na mesa. Indefeso ao traço que Claudius determina.
Claudius.
Sean Connery bonito nos atrai com sua ação.
Nos mostra o sol, a lua, terra e amar. Ensina.
Nossa sina. O que gostar, do que fugir.
Por que ficar, lutar, para onde ir.
Claudius, o modesto. O discreto. O nós.
Claudius,monstro dengoso, afetuoso, senhor.
Claudius do traço, do contra, do pós. E após.
Senhor da modéstia. Do talento. Claudius. O Deus.
P.S. Cometido com carinho e total devoção.
O MODESTO.
Claudius.
Arquiteto dos mais belos e não menos profundos
"cartoons" brasileiros.Claudius. Nankin de Mel.
O Sean Connery bonito, casado com Jô.
Verdadeira bond-woman. Nunca girl.
Claudius. O que sempre nos embasbacou.
Nem mais nem menos. A todos. Fortuna. Ziraldo.
Millôr. Reconheceram. Nenhum vacilou.
Sempre boquiabertos. Por mais "ex"pertos.
De suíças nos deslumbrava. E, pelamordeDeus,
insiste? Sim. Discretamente. No alumbramento.
Nunca falha. Sempre talha, como uma lâmina.
Como uma pena, sem pesar, leve. Nos leva.
Eleva. Leveza de pena. Fácil. Que domina.
Pena dócil se deixa guiar ao leve toque. Mágico.
Transubstancial. Sutileza. Leveza. Beleza. Papel
na mesa. Indefeso ao traço que Claudius determina.
Claudius.
Sean Connery bonito nos atrai com sua ação.
Nos mostra o sol, a lua, terra e amar. Ensina.
Nossa sina. O que gostar, do que fugir.
Por que ficar, lutar, para onde ir.
Claudius, o modesto. O discreto. O nós.
Claudius,monstro dengoso, afetuoso, senhor.
Claudius do traço, do contra, do pós. E após.
Senhor da modéstia. Do talento. Claudius. O Deus.
P.S. Cometido com carinho e total devoção.
Flip.Flyp.Haikais.Haicais. HaiKu. Inconsciente quântinco.
Flip.
Flyp?Flip das Flips.
Flip das Flips?
Meu pai homenageado. Lenço de pano, dobrado no bolso, instrumento
necessário como canivete suíço. Nestes dias, mais. Muito mais.
Esconderijo disponível para lágrimas insistentes. Flip.
Passado sempre presente. Futuro inexistente.
Festa literária celebrando no auge, ciência. Sofia. Santa.
Cidade integrada como absolutamente inesperada. No espírito.
Espírito da festa. Da cachaça. Da celebração. Nunca vista.
A cachaça nomeada. Parida? Presenteada? Desaparecida.
Carreteiros. Cantadores. Cantores. Poetas. Ambulantes. Tortos.
Velhos. Crianças. Vendedores. De livros. Idéias. Ilusões. Todos.
Doces. Tão doces. De espírito. De presença. De lembranças.
Doces festivos. Na manifesta. Festa. Festejam, inteiramente, Paraty.
Paraty. Parati. Para mim. Sol a sol. Toda sol. Quente. E fria.
Paraty. Parati. Noite e dia. Quente e fria. Acolhedora. Parati
Para você. Para mim. Paraty. Toda carinho. Plena. Melodia.
Telões. Sabichões. Canções. Cancioneiros. Carretereiros. Paraty.
Ouro. Príncipe. Escravo. Tombada. Tomba a todos nas ruas.
Cruas, descuidadas, fedentinas, agressivas, reativas, nuas. Ruas.
Imparciais. Com regentes e súditos. Exigem atenção e amparo.
Atenção às ruas de Paraty, não separam, pedem ombro amigo, tão raro.
Como um sorriso. Breve. Abertas como um livro, sem revisão, discrição, reparo.
Ruas livres de Alferes, de dentistas, (tiradentes?), que se magoadas, te quebram Dentes. Tenentes. Êta ruas! Difíceis, afáveis, poucas, exigentes. Choram liteiras. Choram literárias.
Insistem em vivas, vivas, atravessando os séculos, narrar histórias em quadras inteiras.
Plenas de gente. Tanta gente. Gente como a gente. Vivendo. Celebrando.
Os que não sabem, não conhecem, não conhecerão, em breve, tão breve, esquecem.
Ruas de Paraty não se lembram de mim. Entende? Me esquecerão.
Ruas de Paraty, repito, não se lembram de mim. Lembrará de ti. Parati?
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
TOM STOPPARD
Tom Stoppard.
Um dos (não há O) mais importantes dramaturgos britânicos.
Você conhece e talvez não saiba.
" Shakespeare in Love". Roteiro dele.
Ou saiba. Rosencrantz & Guildenstern Are Dead
Escreveu uma versão do clássico do Bardo, " Hamlet".
"Hamlet in fifteen minutes". Obra- prima.
Meu pai, Millôr, para não deixar por menos escreveu
(nunca publicado) uma versão " Hamlet em um minuto".
Cito de memória. Desculpem.
Ato 1: " To be or not to be".
Fim do ato 1.
Ato 2: " The rest is silence".
Fim do ato 2.
Fim da peça.
É isto. Só para saberem.
Grato. Ivan.
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