sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para um manco de Ipanema.

DEDICADO A MIRO. 

O eterno Chefe dos "Salva-vidas" do Posto Nove.
Ipanema. Aníbal de Mendonça.
Hoje. Erro histórico - histórico - da Prefeitura.

COMO UM MANCO DE IPANEMA...

Eu quero um salvador!

Um salva-vidas do Arpoador!
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e surfar. Nas ondas do mar.

Um salvador silente, que não suma. Presente.
Longe do meu olhar, mas sabido, para me acalmar.
Que me ensine que nada se precisa ensinar.
É só, tão sómente só, necessário alguém para aprender.

Que os tempos não o afastem, trocando- o de posto.
Aposentando-o, me fazendo-o esquecer. E o que ensinou.
O salvador. O herói, presente em notícias de jornais.
Aquele que tanto ensinou. Ginástica, abdominais...

Um Salva- vidas, amigo, feliz, como já não existem mais.
Que ame a praia. A areia branca e cantante, escaldante, o sol.
E o vento, bandeira vermelha, indicando o perigo.
Da correnteza que nos arrasta, assim como a vida.

O vento, bandeira branca, que nos permite boiar.
Na calma, no corpo, na alma, no sal, do mar.
Bandeira branca meu amor. Que não me faz chorar.
Só me traz seu carinho, sua certeza, comigo, em ondas.

Ondas, ondas, e ondas. Infinitas. Fortes, agressivas, ou
doces, amorosas celebrando encontros entre conhecidos.
Como só, infinitamente, se repetem em ilusão. Sempre.
Pois são, cada uma, personalíssima, partilham apenas o tempo.

O tempo infindo do vir e ir e reconstruir-se a si mesmas.
Tempo que não se sabemos se, conosco, se porta dessa forma.
A forma das ondas, julgamos ser iguais, depressa demais.
Como a natureza que pretendemos saber. Animais. Vegetais. Mineirais.

Pretenciosamente intelectuais. Riqueza e variedade diárias. E noturnas.
Eu quero um salvador. Um salva-vidas do Posto Nove ou Arpoador. 
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e  surfar. Nas ondas do mar.

Onde foi, onde ido? Certamente, continua, empregado ou despedido?
Longe do mar, da natureza,  que na sua vida que fez se acompanhar,
plena e pura beleza? Cargos e encargos. Salvou-se deles. Todos.
Certos e errados. Cumpria seu tempo. Apesar do tempo. Sol ou chuva.

Tentou entender o universo. Em forma, em prosa, em fim? Perto do mar.
Cadê meu salvador? Para que Posto conduzido? Relegado? Afastado?
Da mais plena e pura beleza. Cargos e encargos? Salvou-se deles. Todos.
Como, me salvou, ensinando a pensar a vida . E agradecer à Natureza.

A parar, descansar, repousar os olhos, sempre, sobre as ondas do mar.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Meus mortos .Para Leila sobrenome nome.


Meus mortos, como todos os mortos, se foram.
Me refiro aos particulares. Parte dos lares.
Que compartilhavam comigo, família.
Cedo ou tarde , me abandonaram.

Tanto. E tantos. Me deixaram submerso em solidão.
Minha eterna e escarradeira companheira.
Que afaga o filho carbono, crescido em abandono.
De olhares, abraços, sorrisos, e carinhos.

Só ela. Sómente ela. Jamais me abandonou.
Passo a passo, permanece, lembrando os mortos que se foram.
Me acompanha, muda. Calada Sem críticas ou elogios. Nada fiz.
Ela mudou. Sómente ela, jamais se afastou. Nunca foi a hora.

Presenciou vitórias, derrotas e tremendos fracassos.
A cada dia, a cada momento, a cada passo. A passo.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Com  firmeza, quase indiferença, me lembrou existir.

Quando estava ao ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular. Minha.
Silente, ensinava. O certo e o errado, o bem e o mal.

Relembrava meus mortos. Familiares ou nem tanto.
Tios, primos, ex-amantes enforcadas, tropa histórica e sábia.
Uns e outros me ensinavam.
Cada um em seu universo, conversavam e me anuviavam.

Ela me fez sobreviver. Acompanhado de mortos.
Familiares. Particulares, ou outros imensamente populares.
Todos me traziam lembranças, lições e companhia.
E assim, sempre na companhia dela, sobrevivia. Dia a dia.

Noite após noite. Sempre ela. desde o primeiro suspiro.
Desde que respiro. Desde quando bateu, sozinho,
aflito, meu coração. Sístole, Diástole? Ying, Yang?
Fez acompanhar-me. Com dificuldade. Sabe minha idade.

Sem palavras. Tudo me mostrou. Apresentou.
A dureza da vida. A ilusão do amor.  O valor da amizade.
Às vezes serena. Outras dura. Mas sempre precisa. Sempre
sem cobrança qualquer, inominada, só cor,  pleno coração.

Discretamente presente. Em festas, glórias, tristezas, satisfação.
E em toda ocasião,  mais ensinava. Nunca foi sinônimo
muito menos aparentada de abandono. Jamais. Me via só,
trazia meus mortos, Humberto, Byron. Particulares ou populares

O tempo passava. E ela, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tinha o mundo e seu passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como me fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.

O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com os mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.

Mesmo com ela, esta pantera, minha inseparável companheira.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Na sua firmeza, quase indiferença, me apoiou existir.
Delicada ou não. Jamais se apresentou em presunção.

Quando estava a ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular.
Silente, aconselhava. O certo e o errado, o bem e o mal.

O tempo passa. E ela aguarda, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tem o mundo e o passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.

O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com meus mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.

Obrigado pantera, inseparável companheira. Minha Solidão.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Tudo seguindo.
Seguindo tudo.
Indo. Vindo. Nada conseguindo.
Empurrando. Sentindo.

Tudo sentido. Tudo empurrando.
Encontrando pouco. Perdendo. Muito.
Indo. Pra lá e pra cá.
Ignorando. Obas e olás.

Deixo a chuva encharcar e o sol.
O Sol! Ensolarar e queimar.
O Sol! Insiste em me chamar.
Mas não vou não. Detesto empolar.

Sol e chuva, casamento de viúva.
Chuva e sol, casamento de espanhol.
E assim correu o tempo. E surgiu o contratempo.
Ontem. Hoje. Amanhã. Sempre.
Você se foi. Sem aviso. Nenhum.
Nenhum aviso. Muito menos prévio.
Mergulhou. Como sempre fazia.
Numa viagem fria. Fria e vazia.

Foi. Não avisou. Mergulhou. No fim.
Nos deixou. Sem aviso. Todos. Pra mim?
Foi. Certamente. De forma inclemente.
Para mim. Senão, para quem? Onde?

Procurar onde? Já procurei. Escrutinei.
Onde? Para lá? Sem aviso prévio?
Sem avisar, foi. Partiu. Fugiu? Desistiu?
Por quê? Por quê? Por quê e porque?

Foi. Para assumir o ser do não ser?
Para dormir, talvez morrer?
Foi, para sempre? Para sempre foi.
O legado, genial, machucou. Fez mal.

Foi? Foi mal? Desculpe. Pensei diverso.
Portanto, por isso e por aquilo, me despeço.
Despedidas? Nenhuma. Todas impedidas.
Por desejos ou imposições da vida?

Foi? Foi. Restou? Cinzas? Todos mentirosos.
Restos esparsos juntos em um saco de ossos.
Dói? Dói. Muito ou pouco? Depende.
Do dia. Da hora. Melancolia. Ou se ri ou se chora.

A vida. Ida. E volta. Vem e vai. Chega e se esvai.
A saúde? Vai bem? Aonde você está, estarei também?
Como saber de você que , nunca, se deixou conhecer?
Como? Como como como? Como como como.

Lacrimejo. Como lacrimejo. Mas não choro.
Peço. Imploro. Que acorde. Você ou eu.
Tanto faz. Qualquer um de qualquer jeito.
Tanto faz. Dá no mesmo. Juro. Novamente, imploro.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Opinião de bebum.

Opinião de bebum.

Achar? Não achar? 
Se achar entregue ao porteiro.
Ele entregará a quem perdeu.
O que você achou.
Achar ou não achar, mera opinião.
Sempre infundada.
Saber ou não saber, eis a questão.
Quem sabe ser ou não ser?
Todos sabemos achar. 
Não sabemos perder.
Perder é um saber.
Achar, um acaso. Mero.
Não concorda? No vinho, vero.
Veritas.
In vino.
Para gente de saber e paladar fino.
Vinho não é cachaça. 
Cachaça é para quem perde.
E, nunca, jamais, acha.
Saber. Perder. Achar.
Viver.
A vida. O vinho? Ou a cachaça?
Serve mais um...

domingo, 10 de novembro de 2013

Disse ou não disse ? Disse me disse?

Para Alberto Rist, que 
entende o que digo. 
Segundo ele...


A maneira de e.e.cummings, 
ou talvez de R.D. Laing.

O que eu disse? Mesmo?

O que ela disse 
que eu disse não 
foi o que disse que 
ela dissesse.
Se ela disse o que realmente 
eu disse você saberia
que eu não disse o 
que você acha que eu 
disse.
O que eu disse, disse-o 
bem, bem dito, mal dito,
mas foi dito e ela não 
disse isto.
Disse aquilo que eu não 
disse. Mas disse que eu disse.
E como vou poder dizer que não disse?
E quando me disse o que eu 
disse, disse a ela o que não era o que disse.
Porque ela não crê no que eu disse.
Como você crê que eu disse.
Ela diisse, o que eu não disse.
Disse-me-disse.
Ou seja, nada do que eu disse tem
a ver com o que ela disse que eu disse.
Disse, agora, para esclarecer o 
que ela disse que eu disse.
E o disse com muita vontade.
Como é difícil, dizer...

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O resto é o silencio que resta.

Silêncio.
Total.
Silencei.
Tudo. O que sei e nada sei.

Saber ou não saber.
Eis a questão.
Do início ao fim.
Ser ou não ser?  Inevitável, sim.

O resto é silêncio.
Pensamentos. Total reflexão.
Pensamentos estuprantes.
Violando nossa percepção.

Aí, sim. Mora a questão.
Companhia ou solidão.
Chegamos e partimos sós.
De onde para onde? Tão sós.

Por quê e para quê?
Tanta solidão. Vida. Missão.
Sucesso, fracasso, comiseração.
Preguiça, pecado, culpa, confissão.

Somos o que somos. Sem saber.
O quê, e muito menos o por quê?
Seguimos, dia após outro, nos traindo.
Atraindo. Os que nos atraem e traem.

Em silencio, tonitroante, prosseguimos.
Seguimos, dia após dia. Noite após noite.
Subtraindo um resto de silencio. Paz.
Morosidade. Bondade. Crueldade.

Seguimos como bondes nos trilhos.
Raramente reconhecido, raros brilhos.
Trilhos, Brilhos, Estribilhos.
Comemorações, enganos, felicidade.

Até paz. Calma e paciência. Adquiridas.
Com tempo, com idade e inocência.
Um dia chegamos e em outro partimos. O fim.
Um dia que, certamente terá o derradeiro Sim.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Previsível.

Um dia, um belo dia ou não, apenas um dia,
como o anterior, o posterior, ou qualquer outro.
Um homem se torna previsível. Pior, pré-visivel.
Conhecido de antemão, por nenhuma variação.

Todos, em volta, já aguardam, atendiam, sua reação
De ante-mão. Para lá ou para cá , já o sabem.
este homem se tornou previsível. E assim invisível.
Ninguém mais o vê. Em casa, na cama, no trabalho.

Absolutamente previsível e, por isto, invisível.
O homem some. Desaparece, por mais que faça.
Inexiste o homem. Sobra apenas sua impressão.
Impressão de já sabido. De inexistência. Total.

Como surgiu este homem? Mergulhado em coerência?
Surgiu de um nada, para onde certamente irá?
Surgiu de um parto para desaparecer, sem morrer?
Surgiu de um parto para morrer, invisível?

Previsível como a morte. O Homem permanece.
E neste estado de permanência, desaparece.
Não o vêem mais. Não o desacreditam mais.
Crêem demais em seus gestos. Suas altitudes.

E longitudes. Homem preciso como uma bússola.
Mas preciso para quê? Todos sabem seu norte e seu sul
Todos sabem, como quando e onde, falará das nuvens.
E todos esperam que, após as nuvens, fale do azul.

Do céu, surgiu esse homem, como todos surgem.
Mas alguns se insurgem contra o imponderável.
Lutam pelo controle do que jamais será controlado.
E, inevitávelmente, a luta para todos já está definida.

Infelizmente, para todos, a luta já está perdida.
Os que se insurgem permanecem visíveis.
Os que aceitam a sina, se resignam, enganam.
A si mesmos tornando-se previsíveis, pior, invisíveis.

Quem poderá salvar estes homens?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Odete é uma mulher que trabalha com frete.
Periguete. Periquitete. Faz frete.
Dona do carro. Dona de casa. Dona da casa.
Casada. O marido uma peste.
Não há quem o conheça que não o deteste.
Odete cumpre até o que jamais promete.
Odete é Odete. Periguete.
Precisa de um homem que não preste.
Pois Odete detesta, homem que preste.
Odete sobrevive de frete.
Cospe um homem como cospe um chiclete.
Mora numa kitchenete.
Esta é a Odete.
Grudada a uma história que sempre repete.
Não toma alcóol, Nenhum. Só. Bebe Grapette.
Ô Odete, quanto custa seu frete? Não se assanhe.
Se aquiete. Seu marido não lhe dá sequer um croquete?
Odete. Quanto custa seu frete? Odete, me ame.
Não me engane. Comigo sem flerte.
Odete, me acolha, abraçe, aperte.
Odete, acorde. Abra os olhos, desperte!
Desperte Odete, e abra seus olhos para mim.
Odete, me promete, que um dia, ainda, me dará o sim.
Pois ao contrário, Odete meu frete, saberei declarado,
um croquete?
Odete. Quanto custa seu frete? Odete, me ame.
Não me engane. Comigo sem flerte...
Odete, me acolha, abraçe, aperte.
Odete, acorde. Abra os olhos, desperte!
Isso, Odete, e abra seus olhos para mim.
Odete, me promete, que um dia, ainda, me dará o sim.
Pois ao contrário, Odete meu frete, saberei declarado,
Meu fim.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013


Desculpem.
Cometi a ousadia de "adaptar" Antonio Maria.

Alguém me ama, Alguém me quer
Mas não me chama de meu amor
A vida passa, e eu sem esse alguém.
E esse alguém não me quer bem
Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso
E hoje descrente de tudo me resta o cansaço
Cansaço da vida, cansaço de mim
Velhice chegando e eu chegando ao fim
Mensagem enviada por Bel Prisco, uma amiga terna e eterna
para mim e que achei que deveria postar. Como em um poste.


Hoje, todos estão fascinados com I-pods, I-phones e I-pads.
Mas se esquecem do I-loveyou...

Beijos na testa paratodos.

Ivan Rubino Fernandes.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Estou aqui. Ou não.
Estou (a) onde estou.
Agora. Escrevo. Portanto estou.
Vivo. Estou vivo. E portanto, e daí?

Nada. Vers(u) os, nada.
Estou. Onde estou.
Aguardo. Aguardo e aguardo.
A chegada da viatura.

Fazer o B.O. Quem sabe? Baba-bi. Bobo-bó...
Ocorrências. Indecencias.Palavrórios.
Zoar. Sons demais. Atordoam.
Até a partida. Dolorida.

Sons companheiros, amenizando a dor.
Sons. Sons, sons conduzindo sonhos.
Conturbados, perturbados, por agregação.
Cercado de pessoas normais. Ou, nem tanto.

Sons, que foram, certo dia, formidáveis.
Outros, apenas familiares. Agora, horrizantes.
Tonitroantes. Sons. Gritos! Gemidos. Histeria.
Para (a)onde vou? Ou, interrompido, ia?

Não lembro. Sons demais. Tão distantes...
Agora. Ainda mais. E ressonantes. Em mim.
Agudos ou graves. Sérios, idióticos. Sobrenaturais.
Sons. De pessoas, que me oferecem abandono.

Normal, o comportamento. E os sons? Demais...
Vou. Para (a) onde me levarem.
Vou. E não há nada para impedir esta ida. Carregada.
Parto. Vou. Ouvindo. Sons e tudo. Rumo ao jamais.
Laço. Laço. Laço. Que me enlaça.
Na vida o que vem. Logo passa.
Assim enfrentei o que sabia ou não.
Desafiando até minha própria razão.

Por quê? Por quê porquê. Eu e você.
Peço, choro, imploro e deploro. O que faço?
Desfaço. Por mais que me apegue.
Abandono qualquer laço. Se afaste.

Me deixe. Conversar e seduzir.
Até onde mais eu posso ir?
Sem rumo, sem tenência, sem amor ?
Sem querência? Até, até, até um dia.

Um bom dia. Bom-dia. Sua companhia?
Para distante se voltava, ia?
Você - a distancia - me olhava? Sabia.
Em que sem você eu me tornaria.

Sabia? Sábia, sabiá. Passarinha. Fugidia.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Cronicas impronomplubicáveis.

Palavras.
Vida. Histórias.
Lembranças.
Memórias.

Escrever? Impulso. Sistóle. Diástole...
Yin. Yang. Sangue do meu sangue.
Sistóle, Ying. Diástole,Yang.
Ou vice-versa? Estão nas seringas.

Veias feias. Sempre a fragilidade capilar.
E vascular. A vasculhar...
Doenças inexistentes. Curas impossíveis.
Ganância. Exploração. Visíveis?

Histeria. Obsessão. Mão e contra-mão. Anote.
Escreva. Para lembrar. Que após vir, só, partir.
Tente resistir. Lembrar. Se agarrar. Não existe voltar.
Hospitais? Ficam! Doem! Repicam!

CTI. UTI. Tudo extorquindo. Falsificando o melhor de TI.
Ou você. Quem batalhou, viveu. Venceu. O invencível.
Atravessou o tudo e o impossível. Vencedor ???
No final, exposto. Àqueles que administraram tua dor.

Agonia! Imposta! Esvaindo quantias incomensuráveis.
Os PHD'S! Cuidando com atenções. Incontestáveis.
Blindados. Por diplomas impostados. Esqueceram você.
Mas jamais, nunca. Perderam de vista, tua pobre carteira...
Para Carlinhos Lyra
e Vina (evidentemente)


Quero dizer....
O que não posso dizer
Pois ao dizer, inevitável, o perder
Então por quê? Tudo ou nada esquecer

O que fiz está feito. Errado ou direito.
Feito por feito. Sem pensar nem razão.
Brinquei e joguei. Apostei num azarão.
Viver sem você. É achar solução?

Errei em apostar ser imune ao azar.
Quis fugir, correr voar. Me esconder.
Hoje, rumo ao sem rumo. Em frenesi.
Temendo parar.
Esperei, sem você, poder me enganar.

Mas sem você, o que posso esperar?
Sem com você para me levantar?
Pecados que cometi, todos pra te magoar.
Aguardo seu colo, carinho, seu doce afegar.

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém.
Repitam o refrão os que não o conhecem também.
Não errem ao um grande amor maltratar.
Pois sem amor, meu amor, nós não somos ninguém.

Ivan Fernandes.

sábado, 25 de maio de 2013

Dedicado a Enrico Bianco.



Procuro, o que encontrei no escuro. Claramente.
Entregando ao porteiro, chegará ao dono.
Sei o que sei. Não acho nada. Demente, imploro.
Vida que me delega um futuro duro. Abandono.

Durmo. Perpetuo. Sonhos raramente profundos.
Triviais. Superficiais. Desperto. Para quê?
Calma, Zen. Me escapa. Rápida? Desvairada.
Que encontrar? Distúrbios? Vida despedaçada.

Encontros -muitos- inevitáveis. Poucos invejáveis.
Grotesco, desperto para o esforço. Caminhar.
Avançar sempre. Certamente. Sobretudo avançar.
Para onde e para quê ? Mas por quê desistir, voltar?

O vir e o ir. Eternos. Caminhos de certeza inevitável.
Meu caro, és poeta? Insano? Jamais minha meta.
Não me faça iniciar por aí.  Por favor, sofro de azia.
Aliteração? Miríades. Ilusão. Anestesia. Tapeando dor.

Dor infantil. Pueril. Tangente. Presente. Sente?
Senta. Cansado, aliviado? Rimou alma com calma?
Pensamento que assombra:" La vechacia e bruta."
Bruta. Pasto para a medicina. Sempre. E hoje, mera puta.

Velhice. No espelho refletindo uma imagem irreconhecível.
Celebrando a queda da figura do outrora belo. Hoje?
Beijo (relembrando) a véspera do escarro. Treda a cana. Augusto.
Agosto. Canícula. O tempo passado, cobrador terrível.

Velocidade inimaginável. Há um dia todos imortais.
Em plena juventude. Na arrogância a que esta pertence.
Nós, todos, pequenos João. Ninguém. Vocês? Também?
Viver. Sobreviver. Ivan. João. Jean. John. Juan. Don. Don Juan.

João Batista. Primo de Jesus. Decapitado. Sem cruz. Só bandeja.
Inventou o espítiro santo. Pombo ou o que seja. Fé sentida.
Morreu como todos. Em dor. Dor e morte. Sinônimos? Vida?
Que não perdoa nínguem. Deplora e crucifica. Escarra enquanto beija.

Vida? Tempo perdido. Consumido. Anseie paz na morte.
Pois a vida ilude e trai. Condena e culpa. Atando para desatar.
Assegura a missão motorneira, de defeitos e pecados,consagrar.
Vida objetiva o passar. O que sobra, meu caro, é pura  sorte.
Anseio dormir.
Descansar.Repousar.
Não acordar mais.
O Vir e o Ir? Cessar.

O pouso e o repouso.
Parar. Sem desejos a solicitar.
Me entregar. Aos sonhos.
Acalmar. Falecer. Em sonhos?

Aí, está a dúvida. Perecer, sonhar?
Sonhos desaparecem. Perecem?
Dormir, sonhar. Escapar. Mas acordar?
Amanhã, amanhã e amanhã...

Até mais. Até amanhã. Até ao até.
Até ser o que mais não é.
Eu. Você. Tu. Ele. E Plurais.
A dormir, descansar, nada mais.

Destino. Desejo. Tempo.
Todos fatais como punhais.
Como a música.
Até um dia, até talvez, até quem sabe?

sábado, 16 de março de 2013

O texto abaixo me foi encomendado
para apresentar uma mostra de desenhos
de meu pai. Na fundação Mário Soares,
inaugurada pelo próprio. É o que fui
capaz de produzir.
Ano? 2013. Mês? Abril.
E é isso.



ANFIGURI.

Texto que não explica ou esclarece
nada. Como este. Mero anfiguri.
Os desenhos, aquarelas, guaches,
expostos nesta mostra, sempre estiveram
presentes nas paredes do apartamento 
da Av.Vieira Souto, e do estúdio da rua Gomes
Carneiro.
Ambos em Ipanema, bairro conhecido
por um doce balançar ao caminho do mar.
Constituem, portanto, a verdadeira seleção
dos trabalhos que ele mais gostava.
Ele, o autor. O artista. Grande artista que repetidamente
negou ser.
Sem qualquer outra interferência. Nem minha. 
Millôr Fernandes.
         Para mim, VolksMíllôr, meu amigo.

MEU PAI E EU, EU E MEU PAI.

Título mais banal? Impossível.  Meu pai veio antes, eu depois.Curioso, não? Quando vim, ele já despedia o Alter Ego “Vão Gogo” para ser Millôr. O nome que Milton Fernandes escolheu adotar, surgiu de uma caligrafia mal traçada no registro de nascimento, onde o corte do “T” virou acento circunflexo e o “N” um erre , e lá em família, do dia pra noite só se falava  Millôr. Milton sumiu.
       Milllôr e Sérgio Porto, Ziraldo,Rubem Braga, Murilo Mendes,Manoel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Rezende, Hélio Pelegrino, Jorge Zahar,Leon Eliachar, João Bethencourt, Paulo Francis, Ivan Lessa, Fausto Wollf, Enrico Bianco, Hélio Fernandes (irmão dele), Fernando Sabino e os demais, me desculpem, eu tinha menos de 10 (dez!) anos… Conversa muita. E risos.Gargalhadas.
Espíritos ao ar.
Rodas de Poker. Reuniões. Todas aos sábados, nunca aos domingos...
Cresci entre conversas e desenhos. A nankim, em preto e branco ou coloridos – muito- bico de pena. Desenhos escolhidos por ele, para ficarem com ele, e jamais serem vendidos. Me influenciaram demais. Se o amigo pedia um, dava. Mas como pedaço da própria carne.. Preferia fazer um novo.E ao presentear o desenho, fazia também uma dedicatória de fina ironia, mas sempre afetiva...
         Em todas as atividades artísticas, os mesmos traços, disciplina férrea e independencia total. Livre-pensador, só tinha compromissos com o Livre-Pensar. É só pensar.
 Os livre-pensadores admirados, Henry Miller, John Lennon, Lincoln, Bernard Shaw, Ambroise Bierce.            
Ideologias? Fez a dele, cotidianamente. De defender a alegria e a felicidade, diuturnamente . Seguindo a falta de estilo cultivada, o pensador preferido, e com razão, para os que o conheceram, era Millôr Fernandes. Ele  mesmo, sim.
Millôr. Dramaturgo.Literato.Humorista. Linguista.Meio tarado, manco musical, atleta amador, desenhista, jornalista e, principalmente, para mim, interlocutor.Criador de um personagem Ipanemense bastante conhecido no bairro, o “Seu Millôr”. Certa vez recebeu uma carta  endereçada assim: Millôr Fernandes, Ipanema. Considerou a maior glória obtida em vida”.
Este foi meu pai.  Ou como o vejo.

domingo, 3 de março de 2013

COMODATO




Cardio Ode

* Ou, despedidas.

Seu coração parou de bater?
Por mim?
Seu coração desejou, decretou,
Distancia de mim?

Seu coração levitou.
Anos. Afim.
Mas, ao fim de tantos, vinte e dois,
renasceu. Para mim.

Por acaso da sorte
Encena, réplica, ressureição.
Seu coração renasceu.
Bateu. Novamente, para mim.

Seu coração desejoso
Seu coração enganoso.
Seu coração é seu. Nunca se deu.
Não sei se algum dia me pertenceu.

Seu coração tem razão.
Seu coração tem desejos.
Seu coração tem anseios.
Que pulsam, batem. Partem, desaparecem.

Pulsa. Acorda com mesmos desejos que adormece.
Reconhece o que você mesma esquece.
Que dentro, profundo, existe, reclama, algo mais.
Pois, incontrolado, insiste, para além do jamais.

Bate em dor, vivida. própria. Nunca alheia.
Dor trazida, amarga, na alma. Incalma, cheia.
Que falsa, vagueia, pulsa e repulsa. Sempre. Por mim.
Mas alega, contrariando o meu,  decretar nosso fim.