sábado, 25 de maio de 2013

Dedicado a Enrico Bianco.



Procuro, o que encontrei no escuro. Claramente.
Entregando ao porteiro, chegará ao dono.
Sei o que sei. Não acho nada. Demente, imploro.
Vida que me delega um futuro duro. Abandono.

Durmo. Perpetuo. Sonhos raramente profundos.
Triviais. Superficiais. Desperto. Para quê?
Calma, Zen. Me escapa. Rápida? Desvairada.
Que encontrar? Distúrbios? Vida despedaçada.

Encontros -muitos- inevitáveis. Poucos invejáveis.
Grotesco, desperto para o esforço. Caminhar.
Avançar sempre. Certamente. Sobretudo avançar.
Para onde e para quê ? Mas por quê desistir, voltar?

O vir e o ir. Eternos. Caminhos de certeza inevitável.
Meu caro, és poeta? Insano? Jamais minha meta.
Não me faça iniciar por aí.  Por favor, sofro de azia.
Aliteração? Miríades. Ilusão. Anestesia. Tapeando dor.

Dor infantil. Pueril. Tangente. Presente. Sente?
Senta. Cansado, aliviado? Rimou alma com calma?
Pensamento que assombra:" La vechacia e bruta."
Bruta. Pasto para a medicina. Sempre. E hoje, mera puta.

Velhice. No espelho refletindo uma imagem irreconhecível.
Celebrando a queda da figura do outrora belo. Hoje?
Beijo (relembrando) a véspera do escarro. Treda a cana. Augusto.
Agosto. Canícula. O tempo passado, cobrador terrível.

Velocidade inimaginável. Há um dia todos imortais.
Em plena juventude. Na arrogância a que esta pertence.
Nós, todos, pequenos João. Ninguém. Vocês? Também?
Viver. Sobreviver. Ivan. João. Jean. John. Juan. Don. Don Juan.

João Batista. Primo de Jesus. Decapitado. Sem cruz. Só bandeja.
Inventou o espítiro santo. Pombo ou o que seja. Fé sentida.
Morreu como todos. Em dor. Dor e morte. Sinônimos? Vida?
Que não perdoa nínguem. Deplora e crucifica. Escarra enquanto beija.

Vida? Tempo perdido. Consumido. Anseie paz na morte.
Pois a vida ilude e trai. Condena e culpa. Atando para desatar.
Assegura a missão motorneira, de defeitos e pecados,consagrar.
Vida objetiva o passar. O que sobra, meu caro, é pura  sorte.