Eveline.
Não minto. Pura e simplesmente sinto.
Assim. E assim. E assado. Assolado.
Desesperado. Vem, de repente, e vai.
E, quando menos espero, sai.
Viu? Está, neste momento, acontecendo.
O quê? A mentira. Jamais pressentida.
Sai, baixa, exaspera, desespera. Não sei.
Do que estou falando, do que escrevo.
Não sei. Escrevo para saber. Para ver.
Para ler.
Para saber de mim. O que tenho em mim.
O que contenho. Ou não. Simples assim.
Ou, difícil, assim. Eu não escolho. Escrevo.
Vomito. Transmito. Penso que sim. Ou que não.
Quem sabe o que vou escrever? Eu? Jamais.
O que escrevo? Agora? Um recado. Bem dado?
Bem mandado? Recado de quem? De mim?
Para quem? Para você? Por quê? Escrevo?
Besteira? Bobagem? Bacana? Não sei.
Platônica e Socraticamente, nada sei.
Você sabe? Me explique. Replique. Falsifique.
Notas, lembranças, vida. Rediviva. Citações.
Pompeu e eu. Pessoa e eu. Eu? Pessoa? Eu? Mínima.
Se lembre do que eu disse, ou esqueça. Toda palavra.
É falsa. A palavra. Perversa. Bela. Sedutora.
Escrevo agora, pra você. Que me desmente.
Me deixa marcas permanentes. Mas não se engane.
Nada do que escrevo é coisa verdadeira. Só besteira.
Beijos.
P.S. Pronto. Eveline. Baixou.
P.PS. Hoje retirei os pontos.
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