quarta-feira, 1 de julho de 2015

Keith Harring. SoHo. Lixo.

Li, na Wiki, a biografia de Keith Haring. E, a história é uma história. Nela está afirmado que ele frequentou a S.V.A. "School of Visual Arts",  faculdade que eu frequentei de 1974 até 1978. E daí? Daí que a Wiki, afirma que Keith " ingressou" na S.V.A. em 1978. Errado. Completamente, errado. Quando em 1974, ingressei na S.V.A.,  era  - com o perdão da má palavra - um " freshman".
 Keith "Sênior".  E chato. Demais. Chatíssimo.
Por isso tivemos poucos, mas alguns, amigos em comum. Principalmente porque eu era "freshman" e ele, Sênior. Dos amigos em comum, o mais chato, era ele.  Sem contestações. Fazia "grafites"? Sim. E bons grafites. Muito bons. Frequentava o " SoHo", quando o SoHo ainda não era, graças a Deus, o que é hoje. Quando lá moravam, David Pascal, Jennifer Bartlett e  Jonathan Borowsky. E ainda não tinha sido invadido por grafiteiros. Grafite não é pixação. Há que diferenciar. E muito. Keith era grafiteiro. Precursor. Leiam o livro de Norman Mailler, "Watching my name goes by..." Uma aula sobre grafites. Enfim, voltando para o que falava, os que citei, os dois últimos,  eram professores da S.V.A. E no Soho havia apenas, na época, um restaurante, "vegetariano",  o " Spring Street Restaurant". Uma , apenas uma, galeria de arte, "Paula Cooper Art Galery" e mais duas lojas, uma de livros, CD's e que tais, tipo a " Travessa" de hoje, e uma loja de roupas masculina. Masculina? Gay. 
caríssima. E, e nada mais.
Keith, reinava no Soho. Reinava. Só e absoluto. Espalhando grafites na imensidão de paredes disponíveis e produzia gravuras que vendia na livraria. Na livraria do SoHo. Assim como vendia cartões postais e moleskins. Por pura falta de dinheiro. Para fazer grana. Absolutamente legítimo.
Tinha que se virar. E como se virava...
Tremendo sentido de "marketing", o que não é pouca coisa, não.  Nas raras, raríssimas, ocasiões em que nos encontramos e trocamos palavras na " escola", School, School of Visual Arts, ele tentou se aproximar de mim. Nada demais. Mas? Papo fôsco. A conversa dele, confesso, não me interessou. Assim como não me interessaram, ai de mim, os dois desenhos, originais, com os quais fui presenteado. E que levei para casa e, e? Joguei no lixo. No lixo!
Hoje, estaria rico. Pois vi, acabei de ver, que " gravuras" dele, apenas gravuras, chegam a valer, cada uma, cerca de quarenta mil dólares. E joguei dois " Originais", no lixo. E, sabe o que mais? Jogaria novamente. Por quê? Porque Arte é uma coisa. Mercado de arte, e marketing, outra. E, a vida segue. Segue. E cega.
Beijos.

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