domingo, 3 de março de 2013

COMODATO




Cardio Ode

* Ou, despedidas.

Seu coração parou de bater?
Por mim?
Seu coração desejou, decretou,
Distancia de mim?

Seu coração levitou.
Anos. Afim.
Mas, ao fim de tantos, vinte e dois,
renasceu. Para mim.

Por acaso da sorte
Encena, réplica, ressureição.
Seu coração renasceu.
Bateu. Novamente, para mim.

Seu coração desejoso
Seu coração enganoso.
Seu coração é seu. Nunca se deu.
Não sei se algum dia me pertenceu.

Seu coração tem razão.
Seu coração tem desejos.
Seu coração tem anseios.
Que pulsam, batem. Partem, desaparecem.

Pulsa. Acorda com mesmos desejos que adormece.
Reconhece o que você mesma esquece.
Que dentro, profundo, existe, reclama, algo mais.
Pois, incontrolado, insiste, para além do jamais.

Bate em dor, vivida. própria. Nunca alheia.
Dor trazida, amarga, na alma. Incalma, cheia.
Que falsa, vagueia, pulsa e repulsa. Sempre. Por mim.
Mas alega, contrariando o meu,  decretar nosso fim.

Conversa antiga e - muito - amiga.

Cara Constança,

Que bom receber uma resposta tão boa. Não. Não se passaram vinte
anos, não. Não temos sequer idade para tal. Sem rs,rs,rs. Pura verdade. Assim como é verdade a saudade que sinto de você e, creia, do Helinho (Fernandes) que se foi. Ficamos, imagine que perda de tempo, 15 (quinze!) anos sem nos falarmos. De 1991 até 2006. Agora, penso e sonho com ele. E (graças ao Bom Deus, reatamos em 2006) e me faz enorme falta. Não estamos aqui, neste vir e ir, para fazermos inimizades. Vr.ir e Ir. De onde e para onde? Quem sabe? Quem saberá? Papas que renunciam, Rajneeshes, Maharishis? Rabinos? Quiçás, Quiças, Quiças?  Gardel talvez...
Gostaria de te ver.
Estou morando, como sempre, na Lagoa. Endereço diferente. Casado novamente. De papel passado, pela segunda vez, com a minha primeira mulher. Com que fui casado, de papel passado, há 22 (vinte e dois!) anos. A vida surpreende e eu tento dar o troco.
Mas ela, a vida, sempre ganha. Ou perde. Depende do ponto de vista. O meu, ponto de vista digo, é sempre sobre a Lagoa. Que não me trai nem subtrai. Nunca. Me oferece, como uma prostituta, em qualquer horário, o que tem de melhor. E, como prostituta, é mais competente do que qualquer Av. Atlântica, ou Vieira Souto. Me dá, de graça, a graça que pretendo, a qualquer hora do dia ou da noite, faça chuva, faça sol, verão ou inverno. Não importa. Ela, a Lagoa, sempre dá. Mais do que peço e infinitamente mais do que mereço.
Amo a Lagoa. Já fiz minha carta de cremação e minhas cinzas, embora deteste a cor cinza, serão dela. Ou melhor, serão nela.
Estou prolixo, como sempre, hoje.
Desculpe. Tudo o que queria dizer é que tenho saudades. E, lendo sua "postagem" (é isto?) que - não tenho a menor dúvida - que você com sua garra e gana, vai superar esta.
Como nos falarmos? Temo enviar o celular pelo Facebook. Helio, o seu, o tem. A contragosto, mas tem. Se desejar peça a ele.
Beijos e os mais profundos desejos da mais pronta e DEFINITIVA recuperação,
do eterno amigo,
Ivan Fernandes.
P.S. Adoraria parques e cafe fresquinho. Para não falar na conversa...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

PERDÃO


Perdão.
Por ouvir tão pouco tua argumentação.
Perdão.
Por querer, e ter sempre, razão.

Falamos.
Reclamamos.
Um do outro. Outro do um.
Ambos chegando a lugar algum.

Perdão por me amares.
Corri lagoas, peguei jacaré em mares.
Ouvi as areias. Encantadores cantares.
Delas, as areias, colhi tatuís.

E nós? Juntos? Par? Casal??
O que somos? Verdade ou cena social?
Juntos? Por quê? Por amor? Para alguém ver?
É isto que nos une? Relação canibal ?

Eu? Você? Quem somos? O que somamos?
Eu? Você? Quem somos? Para onde caminhamos?
Eu? Você?  Em que momento, hora do dia, nos encontramos?
Eu ? Você? Estamos juntos e não nos separamos.

Xota? Pica? Distância. Lembrança.
O tempo voa e leva. Nada fica.
Sexo? Plexos? Nexos?
Nada. Nada. Nada. Insistência. Esperança.

Que o tempo - impossível - perdoe.
Que o tempo - generoso - não magoe.
Que o tempo nunca esqueça o que nos causou.
E que saiba, eternamente, que nosso amor jamais terminou.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Lucio. Lucidez. O tanto que nos fez.

Tão pouco de nada.
Tanto de fada.

Reclamações diárias de nosso sistema.
Flagelos cínicos. Impostos. Gangrena.
Impossível, não ser flagrado nesta cena.
Tantrum. Tantrum. Muitos. Demais.

Suficiente para a entrega a pelegos?
Política? Arrego. E arrego e? Mais arrego.
Briga fingida. Esfrega- esfrega. Consensuais.
Acordos de gaveta pagos pelas tramóias federais.

Rio- Brasília- Rio. Não rio. Lembro do Rio.
De Janeiro a Janeiro. O ano inteiro. Consensual.
Rio Capital. Rio Bahia. Aonde algum dia.
Todo mundo ia, enfim, Capital. Federal
 KUBITSCHEK. Niemeyer. Jobim. Vinícius. Costa.
Lúcio Costa! Esquecido. Largado. Na Bartolomeu Mitre.
Fronteira com a amizade. Avenida aladeirada, conduzindo a nada.
Mas tão frequentada... Ele? Largo. Largado, em próprio pensar.

Celebrado? Mais contestado,,, Fiel. Ao apartamento. Raíz.
Única conquista, capitalista, para o resto de vida, essencial.
A vista. Do mar. No exterior tudo. Espalhado, a contemplar.
O poder Federal? Ignorando. Entregando ao porteiro. Que País!

Lúcio. Lucido. Alucinado. Costa. Uma voz contra a Barra.
Desprendido, economica e éticamente, de qualquer amarra.
Lúcio. Senhor dos espaços. Nos quais corria e transcorria.
Leve. Solto. Em suave ironia. Bradou. Sempre. Com eterna garra.

INACABADO.

Hoje.

E, de repente, não mais que...
É tudo tão ontem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013


Meu Caro Rodrigo

Nasci em Botafogo.
São José. Maternidade.
Fui para Copacabana.Bacana
Aos dois anos, de idade, Ipanema.

Aos trinta, Ipanemaciado.
Cansado. Pousei. Na boa.
Em recanto tranquilo em Paisagem 24/7.
Que minha alma e coração, resete.

Diuturnamente, refresca. Alegra.
Avista alegra a vista. E tranquiliza.
Emoção renovada. Ansiolíticamente.
Luzes e cores que não há quem resista.

Longe. E perto. De tudo. Local em que durmo.
E desperto, esperto. Imaginando besteiras feitas.
Inebriando a vista. De longe e de perto.
Brilha. Atinge. O senso e contra-senso.

Me amplia. Alegra. Tudo. Tudo o que penso.
Mas o espaço dela diminui todo dia.
Diante de meus olhos. Degradação ter antolhos?
Lua que brilha. Sol que espelha. Natureza .

Tudo à mão. Show de beleza. Ao par.
Se contrapondo à vista do mar.
Convidando a respirar. O ar. O ar.
Cobrando apenas vida, amor, amar.

Caminhar. Exercitar. Pensar. Quem sabe, levitar?
Uma volta na Lagoa, uma volta para estar à toa.
À toa? Na lagoa? Impossível. Ou plenamente.
Na lagoa. Pensando neste tal Rodrigo de Freitas.

Duas e meia da madrugada.

02:00 h.

Duas horas da madrugada.

O que há, de especial, neste horário?
Nada.
E tudo.
Nada, caso solteiro. Tudo. Caso, casado.

Duas horas da madrugada. Casado:
Aonde estavas? Nos bares? Com amigos?
Enchendo a cara? Bebendo demais?
Rindo à toa? E a responsabilidade?

Duas horas da madrugada. Solteiro.
Só? Na internet? Pulando de saite em site?
E-mails baboseiras, nos Face-Book ?
Acompanhado? De um "biri-naite"?

Face? Book? Menos e menos  gente
"facing a book". Só trivialidades invasivas.
Face a face. No books. No bodies.
Sequer amigos. Solidão? Descarada.

E? Nada. Pois, casado. Na madrugada.
E? Solteiro? Foge. Do risco. Em disparada.
Solteiro. E só. Na madrugada alegre.
Irresponsável. Em busca apenas de uma gargalhada

Madrugada? Casado ou solteiro?
Em busca. De quê? De nada. Um boa-noite. Obrigada.
Drinques, E-mails. Atitudes tolas. Vida? Abandonada.
Durante a madrugada.

O que buscam, solteiros e casados, na madrugada?
Esperança de tudo mas encontrando: Nada!
Internet. Bares. Casados e solteiros, sempre a procura.
De madrugada. Para encontrar?  Nada.

Pra cama, agora ! Solteiros e casados.
Solitários nos lares, solitários dos bares.
Jamais encontrareis verdadeiros pares. Pare. Pares.
Perdidos na madrugada, para quê ?  Pra nada.