quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Encontrei uma moça (jovem senhora) de voz pastosa.
Jovem, senhora, atraente, mas não " gostosa" 
Que me disse:"- Como vai, Ivan? ", simples assim.
Ivan? Como sabe meu nome? Perguntei.

Ivan? É seu nome? Estranho, jamais pensei...
Foi a resposta. Da voz pastosa. Da moça.
Um dia, talvez, gostosa. Hoje idosa?
Sim. Ivan. Foi o que você falou, respondi.

Ivan? Você se chama Ivan? Estranho. Ivan morreu.
Ivan morreu? Que Ivan? Inquiri à voz pastosa. 
Ivan? Não conheço, responde a senhora idosa.
Pasmo, perante a figura, algum dia, gostosa.

Morreu? Quando, como, onde, paraperperantepor.
De quê, porque, por quê, por quanto conseguinte.
Quem, me responde a moça idosa de voz pastosa.
Quem? O Ivan? Respondo eu. Eu, Ivan? Foi outro, não?

Outro? Outro quem? Outro Ivan? Ivan só você.
Não conheço nenhum outro Ivan. Mais ninguém.
Você morreu. Não morreu? Tenho certeza. Falou.
Com voz pastosa, anunciou, meu falecimento.

Ri, da moça, jovem senhora, já idosa, tão afirmativa.
Morri? Morro agora. De rir. Se falo com você, vivo.
Vives? Você? Meu único Ivan, morto, falecido. Inerte?
Preste, a ser carbonizado. Vive? Você vive Ivan?

Percebi, que a voz pastosa da jovem senhora, idosa.
Era conhecida. Familiar. Rouca. Forte. Alegre. Generosa.
Doce. Doce. Doce. Deleite. Saborosa. Como na infância.
Calorosa. A voz pastosa. Relembrei. Revivi. A voz? Minha.

E daí? Daí, parti. De forma calma, calorosa, embalado 
em palavras roucas emitidas por uma jovem idosa.
Talvez em certo momento, gostosa. Laudo? Pastosa.
Certamente e, para sempre, definitivamente, generosa.

Inacabado.
Como tudo.

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