domingo, 14 de setembro de 2014


AINDA A LUA.

Vou à sala do meu apartamento e olho. Da janela.
Olho a paisagem. Reta. Direta. Lagoa. Coisa boa.
Olho mais acima, o céu. Vejo a noite e vejo a lua.
Lua. Prata. Fundo negro. Resplandecendo mais prata.

Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. Descarada.

Olhar da Janela. Dela a lua. O luar. O resplandecer. Calar.
Emudecer. Perante a bela lua, crua, refletida na Lagoa.
Da sala. De casa. De madrugada. Ou quase. Ela. No céu.
Ser capturado por beleza inesperada. Tão longe. Como lua.

Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu.  Na rua. Nua.

Que vejo. Prateada. Da janela. E lembro. De tudo. Do homem.
Pisando nela. Caminhando. Para a humanidade. Lá. Na lua.
Mas tem um outro lado. Que não vemos. Que não se mostra.
Esconde. Como eu ou você. Como a moeda. Ou tudo. O lado de lá.

Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Me reflete.

O lado contrário. Ao que se exibe. O lado escondido. Lá.
Que é tão longe. Como o outro lado da lua. Na prata escondido.
O lado de cá? De cá pra lá? Um mundo. Que observa. Espantado.
Embevecido. A beleza exibida. Do lado de cá da lua. Tão bela.

Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Rapta. Meu olhar.

Que, ser privilegiado, posso ver da minha janela. Ou do meio da rua.
Refletida na Lagoa. Num filete de água, uma poça. Antiga? Recente?
Brilhando. Serene. Solene. No céu. Sobre a Lagoa. Exibida.
Como moça que se sabe. E finge não se saber. Coisa boa.

Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. No céu. Clama. Pelo sol.

Companheiro diurno. Dourado. Cenário. Inesperado. Pronto. Para encantar.
E encanta. A lua. A paisagem cenográfica. Sem vento. Sem Lamento.
Nuvens calmas. Ao contrário de mim. Calmas longe de mim. Escapam.
Olho a paisagem. Aprecio. Procuro Saber. Um apenas. Tolamente. E fim.


Lua. Lua. Lua. Sua. Minha. Nua. No céu. Se exibe. Assim. Em Prata. Pra mim.

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