Encontrei uma moça (jovem senhora) de voz pastosa.
Jovem, senhora, atraente, mas não " gostosa"
Que me disse:"- Como vai, Ivan? ", simples assim.
Ivan? Como sabe meu nome? Perguntei.
Ivan? É seu nome? Estranho, jamais pensei...
Foi a resposta. Da voz pastosa. Da moça.
Um dia, talvez, gostosa. Hoje idosa?
Sim. Ivan. Foi o que você falou, respondi.
Ivan? Você se chama Ivan? Estranho. Ivan morreu.
Ivan morreu? Que Ivan? Inquiri à voz pastosa.
Ivan? Não conheço, responde a senhora idosa.
Pasmo, perante a figura, algum dia, gostosa.
Morreu? Quando, como, onde, paraperperantepor.
De quê, porque, por quê, por quanto conseguinte.
Quem, me responde a moça idosa de voz pastosa.
Quem? O Ivan? Respondo eu. Eu, Ivan? Foi outro, não?
Outro? Outro quem? Outro Ivan? Ivan só você.
Não conheço nenhum outro Ivan. Mais ninguém.
Você morreu. Não morreu? Tenho certeza. Falou.
Com voz pastosa, anunciou, meu falecimento.
Ri, da moça, jovem senhora, já idosa, tão afirmativa.
Morri? Morro agora. De rir. Se falo com você, vivo.
Vives? Você? Meu único Ivan, morto, falecido. Inerte?
Preste, a ser carbonizado. Vive? Você vive Ivan?
Percebi, que a voz pastosa da jovem senhora, idosa.
Era conhecida. Familiar. Rouca. Forte. Alegre. Generosa.
Doce. Doce. Doce. Deleite. Saborosa. Como na infância.
Calorosa. A voz pastosa. Relembrei. Revivi. A voz? Minha.
E daí? Daí, parti. De forma calma, calorosa, embalado
em palavras roucas emitidas por uma jovem idosa.
Talvez em certo momento, gostosa. Laudo? Pastosa.
Certamente e, para sempre, definitivamente, generosa.
Inacabado.
Como tudo.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
terça-feira, 26 de agosto de 2014
IDEAL
Meu ideal de vida? É de ida. É. Ida.
Sem volta. Para sempre. Para um farol.
Situado em pequenina ilha. Majestoso.
Imponente. Brilhante. Fálico. Um sol.
Sol de dia. Quente. Verão. Todos. O farol.
Nele me pressentirão. Mas jamais me saberão.
Solitário. Protegido. Escondido. Ermitão.
Ouvindo o mar. Aprendendo do mar. Do Atol.
Meu ideal de vida? Anônima. Escondida. Ilha.
Paz. Misantrópica. Autônoma. Única. Rocha.
Pássaros. Peixes. Répteis. Mariscos. Arisco.
Como eu. Só. Longe das leis. Obrigações. Fisco.
Nuvens coloridas pela altura do sol. No alto. Do farol.
Enxergo. Todo dia. Deslumbrante. Cores incontidas.
Não cabem em palhetas. Ou quaisquer pigmentos.
E assim, minha vida, tem seu, justo, seguimento.
Vivo. Só. Ao Sol. Exposto ao mar e ao vento.
Do alto observo tudo. Céu. Nuvens, barcos perdidos.
Como eu. Mas estou aquecido pela beleza e certeza.
Da não lembrança. Da paz. De ter sido esquecido.
Farol. Ilha. Peixes. Nuvens. Mar. Sol. Céu. Pássaros.
Tudo eu. Sómente eu. Vivo. Esquecido. Tranquilo.
O tempo passa. Lentamente. Delicadamente. No farol.
Que me alimenta, sempre. Me garante sempre. Ser. Esquecido.
Inacabado. Como tudo mais...
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
CLAUDIUS.
O MODESTO.
Claudius.
Arquiteto dos mais belos e não menos profundos
"cartoons" brasileiros.Claudius. Nankin de Mel.
O Sean Connery bonito, casado com Jô.
Verdadeira bond-woman. Nunca girl.
Claudius. O que sempre nos embasbacou.
Nem mais nem menos. A todos. Fortuna. Ziraldo.
Millôr. Reconheceram. Nenhum vacilou.
Sempre boquiabertos. Por mais "ex"pertos.
De suíças nos deslumbrava. E, pelamordeDeus,
insiste? Sim. Discretamente. No alumbramento.
Nunca falha. Sempre talha, como uma lâmina.
Como uma pena, sem pesar, leve. Nos leva.
Eleva. Leveza de pena. Fácil. Que domina.
Pena dócil se deixa guiar ao leve toque. Mágico.
Transubstancial. Sutileza. Leveza. Beleza. Papel
na mesa. Indefeso ao traço que Claudius determina.
Claudius.
Sean Connery bonito nos atrai com sua ação.
Nos mostra o sol, a lua, terra e amar. Ensina.
Nossa sina. O que gostar, do que fugir.
Por que ficar, lutar, para onde ir.
Claudius, o modesto. O discreto. O nós.
Claudius,monstro dengoso, afetuoso, senhor.
Claudius do traço, do contra, do pós. E após.
Senhor da modéstia. Do talento. Claudius. O Deus.
P.S. Cometido com carinho e total devoção.
O MODESTO.
Claudius.
Arquiteto dos mais belos e não menos profundos
"cartoons" brasileiros.Claudius. Nankin de Mel.
O Sean Connery bonito, casado com Jô.
Verdadeira bond-woman. Nunca girl.
Claudius. O que sempre nos embasbacou.
Nem mais nem menos. A todos. Fortuna. Ziraldo.
Millôr. Reconheceram. Nenhum vacilou.
Sempre boquiabertos. Por mais "ex"pertos.
De suíças nos deslumbrava. E, pelamordeDeus,
insiste? Sim. Discretamente. No alumbramento.
Nunca falha. Sempre talha, como uma lâmina.
Como uma pena, sem pesar, leve. Nos leva.
Eleva. Leveza de pena. Fácil. Que domina.
Pena dócil se deixa guiar ao leve toque. Mágico.
Transubstancial. Sutileza. Leveza. Beleza. Papel
na mesa. Indefeso ao traço que Claudius determina.
Claudius.
Sean Connery bonito nos atrai com sua ação.
Nos mostra o sol, a lua, terra e amar. Ensina.
Nossa sina. O que gostar, do que fugir.
Por que ficar, lutar, para onde ir.
Claudius, o modesto. O discreto. O nós.
Claudius,monstro dengoso, afetuoso, senhor.
Claudius do traço, do contra, do pós. E após.
Senhor da modéstia. Do talento. Claudius. O Deus.
P.S. Cometido com carinho e total devoção.
Flip.Flyp.Haikais.Haicais. HaiKu. Inconsciente quântinco.
Flip.
Flyp?Flip das Flips.
Flip das Flips?
Meu pai homenageado. Lenço de pano, dobrado no bolso, instrumento
necessário como canivete suíço. Nestes dias, mais. Muito mais.
Esconderijo disponível para lágrimas insistentes. Flip.
Passado sempre presente. Futuro inexistente.
Festa literária celebrando no auge, ciência. Sofia. Santa.
Cidade integrada como absolutamente inesperada. No espírito.
Espírito da festa. Da cachaça. Da celebração. Nunca vista.
A cachaça nomeada. Parida? Presenteada? Desaparecida.
Carreteiros. Cantadores. Cantores. Poetas. Ambulantes. Tortos.
Velhos. Crianças. Vendedores. De livros. Idéias. Ilusões. Todos.
Doces. Tão doces. De espírito. De presença. De lembranças.
Doces festivos. Na manifesta. Festa. Festejam, inteiramente, Paraty.
Paraty. Parati. Para mim. Sol a sol. Toda sol. Quente. E fria.
Paraty. Parati. Noite e dia. Quente e fria. Acolhedora. Parati
Para você. Para mim. Paraty. Toda carinho. Plena. Melodia.
Telões. Sabichões. Canções. Cancioneiros. Carretereiros. Paraty.
Ouro. Príncipe. Escravo. Tombada. Tomba a todos nas ruas.
Cruas, descuidadas, fedentinas, agressivas, reativas, nuas. Ruas.
Imparciais. Com regentes e súditos. Exigem atenção e amparo.
Atenção às ruas de Paraty, não separam, pedem ombro amigo, tão raro.
Como um sorriso. Breve. Abertas como um livro, sem revisão, discrição, reparo.
Ruas livres de Alferes, de dentistas, (tiradentes?), que se magoadas, te quebram Dentes. Tenentes. Êta ruas! Difíceis, afáveis, poucas, exigentes. Choram liteiras. Choram literárias.
Insistem em vivas, vivas, atravessando os séculos, narrar histórias em quadras inteiras.
Plenas de gente. Tanta gente. Gente como a gente. Vivendo. Celebrando.
Os que não sabem, não conhecem, não conhecerão, em breve, tão breve, esquecem.
Ruas de Paraty não se lembram de mim. Entende? Me esquecerão.
Ruas de Paraty, repito, não se lembram de mim. Lembrará de ti. Parati?
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
TOM STOPPARD
Tom Stoppard.
Um dos (não há O) mais importantes dramaturgos britânicos.
Você conhece e talvez não saiba.
" Shakespeare in Love". Roteiro dele.
Ou saiba. Rosencrantz & Guildenstern Are Dead
Escreveu uma versão do clássico do Bardo, " Hamlet".
"Hamlet in fifteen minutes". Obra- prima.
Meu pai, Millôr, para não deixar por menos escreveu
(nunca publicado) uma versão " Hamlet em um minuto".
Cito de memória. Desculpem.
Ato 1: " To be or not to be".
Fim do ato 1.
Ato 2: " The rest is silence".
Fim do ato 2.
Fim da peça.
É isto. Só para saberem.
Grato. Ivan.
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Para um manco de Ipanema.
DEDICADO A MIRO.
O eterno Chefe dos "Salva-vidas" do Posto Nove.
Ipanema. Aníbal de Mendonça.
Hoje. Erro histórico - histórico - da Prefeitura.
O eterno Chefe dos "Salva-vidas" do Posto Nove.
Ipanema. Aníbal de Mendonça.
Hoje. Erro histórico - histórico - da Prefeitura.
COMO UM MANCO DE IPANEMA...
Eu quero um salvador!
Um salva-vidas do Arpoador!
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e surfar. Nas ondas do mar.
Um salvador silente, que não suma. Presente.
Longe do meu olhar, mas sabido, para me acalmar.
Que me ensine que nada se precisa ensinar.
É só, tão sómente só, necessário alguém para aprender.
Que os tempos não o afastem, trocando- o de posto.
Aposentando-o, me fazendo-o esquecer. E o que ensinou.
O salvador. O herói, presente em notícias de jornais.
Aquele que tanto ensinou. Ginástica, abdominais...
Um Salva- vidas, amigo, feliz, como já não existem mais.
Que ame a praia. A areia branca e cantante, escaldante, o sol.
E o vento, bandeira vermelha, indicando o perigo.
Da correnteza que nos arrasta, assim como a vida.
O vento, bandeira branca, que nos permite boiar.
Na calma, no corpo, na alma, no sal, do mar.
Bandeira branca meu amor. Que não me faz chorar.
Só me traz seu carinho, sua certeza, comigo, em ondas.
Ondas, ondas, e ondas. Infinitas. Fortes, agressivas, ou
doces, amorosas celebrando encontros entre conhecidos.
Como só, infinitamente, se repetem em ilusão. Sempre.
Pois são, cada uma, personalíssima, partilham apenas o tempo.
O tempo infindo do vir e ir e reconstruir-se a si mesmas.
Tempo que não se sabemos se, conosco, se porta dessa forma.
A forma das ondas, julgamos ser iguais, depressa demais.
Como a natureza que pretendemos saber. Animais. Vegetais. Mineirais.
Pretenciosamente intelectuais. Riqueza e variedade diárias. E noturnas.
Eu quero um salvador. Um salva-vidas do Posto Nove ou Arpoador.
Que me ensine a nadar. Mergulhar.
Pegar jacarés e surfar. Nas ondas do mar.
Onde foi, onde ido? Certamente, continua, empregado ou despedido?
Longe do mar, da natureza, que na sua vida que fez se acompanhar,
plena e pura beleza? Cargos e encargos. Salvou-se deles. Todos.
Certos e errados. Cumpria seu tempo. Apesar do tempo. Sol ou chuva.
Tentou entender o universo. Em forma, em prosa, em fim? Perto do mar.
Cadê meu salvador? Para que Posto conduzido? Relegado? Afastado?
Da mais plena e pura beleza. Cargos e encargos? Salvou-se deles. Todos.
Como, me salvou, ensinando a pensar a vida . E agradecer à Natureza.
A parar, descansar, repousar os olhos, sempre, sobre as ondas do mar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Meus mortos .Para Leila sobrenome nome.
Meus mortos, como todos os mortos, se foram.
Me refiro aos particulares. Parte dos lares.
Que compartilhavam comigo, família.
Cedo ou tarde , me abandonaram.
Tanto. E tantos. Me deixaram submerso em solidão.
Minha eterna e escarradeira companheira.
Que afaga o filho carbono, crescido em abandono.
De olhares, abraços, sorrisos, e carinhos.
Só ela. Sómente ela. Jamais me abandonou.
Passo a passo, permanece, lembrando os mortos que se foram.
Me acompanha, muda. Calada Sem críticas ou elogios. Nada fiz.
Ela mudou. Sómente ela, jamais se afastou. Nunca foi a hora.
Presenciou vitórias, derrotas e tremendos fracassos.
A cada dia, a cada momento, a cada passo. A passo.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Com firmeza, quase indiferença, me lembrou existir.
Quando estava ao ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular. Minha.
Silente, ensinava. O certo e o errado, o bem e o mal.
Relembrava meus mortos. Familiares ou nem tanto.
Tios, primos, ex-amantes enforcadas, tropa histórica e sábia.
Uns e outros me ensinavam.
Cada um em seu universo, conversavam e me anuviavam.
Ela me fez sobreviver. Acompanhado de mortos.
Familiares. Particulares, ou outros imensamente populares.
Todos me traziam lembranças, lições e companhia.
E assim, sempre na companhia dela, sobrevivia. Dia a dia.
Noite após noite. Sempre ela. desde o primeiro suspiro.
Desde que respiro. Desde quando bateu, sozinho,
aflito, meu coração. Sístole, Diástole? Ying, Yang?
Fez acompanhar-me. Com dificuldade. Sabe minha idade.
Sem palavras. Tudo me mostrou. Apresentou.
A dureza da vida. A ilusão do amor. O valor da amizade.
Às vezes serena. Outras dura. Mas sempre precisa. Sempre
sem cobrança qualquer, inominada, só cor, pleno coração.
Discretamente presente. Em festas, glórias, tristezas, satisfação.
E em toda ocasião, mais ensinava. Nunca foi sinônimo
muito menos aparentada de abandono. Jamais. Me via só,
trazia meus mortos, Humberto, Byron. Particulares ou populares
O tempo passava. E ela, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tinha o mundo e seu passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como me fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.
O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com os mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.
Mesmo com ela, esta pantera, minha inseparável companheira.
Jamais verteu uma lágrima, esboçou um sorriso.
Na sua firmeza, quase indiferença, me apoiou existir.
Delicada ou não. Jamais se apresentou em presunção.
Quando estava a ponto de desistir, incapaz de insistir.
Presente. Muda. Calada. Jamais indiferente. Ela.
Inteiramente minha. Inteiramente particular.
Silente, aconselhava. O certo e o errado, o bem e o mal.
O tempo passa. E ela aguarda, sempre ao meu lado. Atenciosa.
Sem rivais. Tem o mundo e o passado a me apresentar.
Sabia fácilmente como fascinar, encantar, dominar.
Algumas vezes até domesticar. Cumpre o que promete.
O que promete? Apenas a mudez, conversas perdidas no
amanhã e deixar o pensamento livre. Para a vida. Pequena.
Sempre tão rápida e mínima a vida, mesmo com meus mortos
Que ensinaram, ensinam, ensinarão, através da vinda e ida.
Obrigado pantera, inseparável companheira. Minha Solidão.
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